Eliana Alves Cruz é primeira mulher negra imortal da Academia Carioca de Letras

Com 31 votos, autora do livro Meridiana ocupa a partir de agora a cadeira de número 39
por
Wanessa Celina
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09/09/2026 - 12h

No ano em que a Academia Carioca de Letras (ACL) comemora seu centenário, Eliana Alves Cruz é a primeira mulher negra eleita para ocupar uma cadeira na instituição. Na votação feita no dia 31 de agosto, a escritora - que concorreu com Renata da Silva Barcellos, Diana Guenzburger e Patrícia Neves - conquistou 31 votos. Ela assume agora cadeira 39, antes ocupada pela acadêmica Maria Amélia Amaral Palladino. 

Em comunicado, a diretoria da ACL saudou a escritora que “passa a abrilhantar o quadro social desta Casa”, segundo a instituição. Eliana também foi saudada pela escritora Conceição Evaristo, primeira mulher negra a assumir uma cadeira na Academia Mineira de Letras em 2024, durante uma palestra na Bienal do Livro, na última sexta-feira (4). As duas, autoras do livro “Escreviventes” (Pallas, 2026) que aborda temas sobre racismo, maternidade, sexualidade, foram aplaudidas em pé pela audiência. 

Jornalista e escritora, Eliana é autora de obras como “Solitária” (Companhia das Letras, 2022), “Água de Barrela” (Malê, 2018), “Nada digo de ti que em ti não veja” (Pallas, 2020). Ela venceu o Prêmio Jabuti em 2022 na categoria Conto, com o livro “A vestida”. Também conquistou, em 2025, o Prêmio Guimarães Rosa, da Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo livro do ano na categoria Ficção, com “Meridiana” (Companhia das letras, 2025).

Com “Meridiana”, ela foi elogiada pela Academia Brasileira de Letras, que considerou a obra como uma “odisseia, ou anti-odisseia, de uma família negra, um romance de grande intensidade emocional, numa trama muito bem urdida". O livro traz diferentes pontos de vista de uma família que ascende financeiramente e sai da Favela do Matadouro para morar no centro da cidade, convivendo com uma classe média. O principal questionamento feito pela autora é: quando se resolvem os problemas de mobilidade social, todos os problemas são resolvidos? 

Em 2022, a escritora também foi chamada para desfilar pela escola de samba do Rio de Janeiro, Beija-Flor de Nilópolis, junto com escritores negros. Com o enredo de “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, a escola de samba a intelectualidade e a história negra brasileira. Eliana também participou, ao lado de Conceição Evaristo do filme "Carolina - Quarto de Despejo", baseado na obra de Carolina Maria de Jesus.

Mulheres negras ocupam as Academias de Letras no Brasil

O protagonismo de mulheres negras nas Academias de Letras brasileiras vem evoluindo desde 2022, quando a escritora  e filósofa Djamila Ribeiro, autora do livro “Pequeno Manual Antirracista” (Companhia das Letras, 2019), ocupou a cadeira de nº 28  na Academia Paulista de Letras, ocupada anteriormente pela escritora Lygia Fagundes Telles. Em 2024, foi a vez de Conceição Evaristo na Academia Mineira de Letras. Em julho de 2025, Ana Maria Gonçalves se tornou a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

A Academia Brasileira de Letras e suas academias estaduais exercem o papel de zelar pela memória cultural, de preservação da língua portuguesa e da literatura nacional. Apesar da sua fundação em 20 de julho de 1897 por Machado de Assis, outro grande escritor negro do país, uma mulher negra só participou da instituição 128 anos depois. Em um post no Instagram anunciando sua posição na cadeira 39, Eliana destacou: “no ano em que a instituição completa 100 anos, uma mulher negra escritora ocupa uma cadeira na instituição. Sempre significa”.

 

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