Cury reforça discurso de pacificação na reta final

Com caminhadas, carreatas, entrevistas e eventos religiosos, presidenciável do Avante ampliou a presença na Bahia, Minas Gerais e São Paulo
por
Malu Malaquias
Vitória Teles
|
02/10/2026 - 12h

Na última semana antes do primeiro turno, o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) intensificou a agenda de campanha com eventos públicos, entrevistas e ações de mobilização em diferentes estados do Brasil. O presidenciável apostou no discurso de pacificação política, ampliou o diálogo com lideranças religiosas e voltou a defender mudanças na educação, no sistema de saúde e na regulamentação das apostas esportivas.

A movimentação começou na sexta-feira (25), com a divulgação de sua agenda em Salvador. Em vídeo publicado nas redes sociais, Cury convidou apoiadores para uma caminhada no Pelourinho e pediu que os participantes levassem fitas brancas, símbolo utilizado pela campanha para representar a mensagem de paz e união nacional.

No sábado (26), em Salvador, o candidato participou da Conferência Resplandecer, promovida pela Igreja Lírio. Logo depois, o presidenciável participou da chamada Caminhada da Pacificação no Pelourinho. A programação incluiu contato com apoiadores, passagem pela Feira do Empreendedor, conversas com comerciantes e coletiva de imprensa.

Ainda no dia 26, Cury deixou a capital baiana e seguiu para Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No município mineiro, realizou mais uma edição da Caminhada pela Pacificação. A atividade partiu do comitê do Avante e seguiu até a Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, reunindo apoiadores locais e lideranças políticas da região.

A passagem por Caeté teve importância simbólica para a campanha, já que Minas Gerais é considerado um dos estados prioritários para a candidatura. O discurso repetiu a mensagem apresentada em Salvador de combate à polarização e formação de um governo baseado em especialistas e no diálogo nacional.

No domingo (27), a campanha continuou por Belo Horizonte. A agenda começou com uma visita à tradicional Feira Hippie, o candidato conversou com comerciantes, artesãos e frequentadores. Depois, participou da chamada Carreata da Pacificação, com concentração na Praça do Papa. Segundo informações divulgadas pelo Avante, cerca de 750 veículos participaram da mobilização.

Cury e esposa na Feira Hippie, em Belo Horizonte. Foto:Reprodução/ Instagram/ @augustocury
Cury e esposa na Feira Hippie, em Belo Horizonte. Foto:Reprodução/ Instagram/ @augustocury

Durante entrevistas concedidas na capital mineira, Cury voltou a endurecer o discurso contra as plataformas de apostas esportivas. O candidato defendeu que as bets (casas de apostas online) sejam extintas ou submetidas a uma tributação entre 50% e 60%, semelhante à aplicada a produtos considerados nocivos. Segundo ele, as apostas provocam dependência grave e produzem efeitos psicológicos comparáveis aos de substâncias que geram vício. "As bets precisam ser enquadradas: ou elas têm que ser eliminadas ou têm que ser taxadas como cigarro", afirmou durante entrevista.

Além disso, voltou a defender ampliação do SUS, investimentos em telemedicina, valorização dos professores e mudanças na estrutura da educação brasileira. Ao final da agenda, visitou a Casa Cury, localizada no bairro Lourdes.

Na segunda-feira (28), o presidenciável não apresentou nenhuma agenda pública relevante, mas criticou a medida provisória que proibia as bets no Brasil, em reportagem exclusiva publicada pela Bahia.ba. O candidato afirmou que o presidente Lula estaria usando o tema de forma eleitoral e defendeu regras mais rígidas para o setor, como impostos mais altos para empresas de apostas.

Já na terça-feira (29), o candidato participou da sabatina presidencial da RedeTV!. Augusto comentou que, se eleito, poderia conceder anistia se considerasse necessário, incluindo analisar o caso de Jair Bolsonaro. Defendeu a tributação das bets em níveis semelhantes aos cobrados pelos cigarros, caso não fosse possível eliminá-las completamente, argumentando que a proibição total poderia incentivar o surgimento de operações clandestinas de apostas.

Além da aparição na RedeTV!, o candidato concedeu uma entrevista para a rádio Rádio Piatã FM, em que falou sobre a necessidade de pacificar o país, criticando o clima de polarização política, que classificou como um ambiente tóxico do debate público. O presidenciável também apresentou sua visão de governo, com temas ligados à economia, a programas sociais e à disputa eleitoral.

Na quarta-feira (30), Augusto Cury concentrou sua agenda em São Paulo participando do Podcast Inteligência Ltda. Seu principal posicionamento foi em relação às mudanças para a educação, defendendo o fim do modelo excessivamente conteudista e afirmando que as escolas deveriam estimular mais os debates de ideias e o pensamento crítico.

"Tem que mudar o sistema conteudista, onde o professor é um mero expositor. Tem de haver debate de ideias, tem de haver pensamento crítico e a arte de provocar as perguntas” afirmou.

Além disso, Augusto Cury também fez críticas a Flávio Bolsonaro. O candidato afirmou que Flávio “não é tanto de direita” quanto seus apoiadores costumam dizer e o posicionou politicamente entre o centro e a esquerda. “Eu quero dizer para você que Flávio não é tanto de direita, não, viu?”, declarou.