Bienal do Livro de SP reúne multidões em painéis literários

Conceição Evaristo, Paula Pimenta, Lynn Painter e Alice Oseman lotam primeiro final de semana do evento
por
João Calegari
Mariana Araujo
Larissa Bandeira
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11/09/2026 - 12h
Painel “Coração em volume máximo: trazendo a junção da música com a leitura” com as escritoras Mih Tantino e Paula Pimenta. Foto: Larissa Bandeira/AGEMT
Painel “Coração em volume máximo: trazendo a junção da música com a leitura” com as escritoras Mih Tantino e Paula Pimenta. Foto: Larissa Bandeira/AGEMT

A espera pelo primeiro final de semana da 28ª Bienal do Livro de São Paulo começou antes mesmo da abertura do evento. Visitantes enfrentaram filas para o transfer gratuito da estação Portuguesa-Tietê até o Distrito Anhembi, sede do evento. Dentro da Bienal, entre 11h e 17h, a circulação pelos corredores próximos aos estandes de grandes editoras, como Rocco, Intrínseca e Seguinte ficou mais difícil, devido à concentração de visitantes e às filas para compra. 

Realizada a cada dois anos em São Paulo, a Bienal reúne editores, autores e leitores e, nesta edição, teve os ingressos rapidamente esgotados para os dois finais de semana. O Evento começou nesta sexta-feira (4) e segue até domingo (13). 

Além do movimento nos estandes, a programação da Bienal também atraiu grandes públicos. Na Arena Cultural, no sábado, as participações das escritoras Mih Tantino, Paula Pimenta, Lynn Painter e Alice Oseman reuniram fãs durante a manhã, tarde e noite. O primeiro painel contou com o bate-papo entre Paula Pimenta, escritora com 25 anos de carreira e Mih Tanino, autora de 21 anos. Durante a conversa, as duas expuseram a conexão direta entre a criação literária e a musical. Sob o tema “Coração em volume máximo: trazendo a junção da música com a leitura”, as autoras detalharam como ritmos, letras e acordes deixaram de ser referências externas para se tornarem a própria alma de suas narrativas.

Painel “Um lugar seguro no mundo: uma conversa com Alice Oseman” Foto: Mariana Araujo/AGEMT
Painel “Um lugar seguro no mundo: uma conversa com Alice Oseman” Foto: Mariana Araujo/AGEMT

Autora famosa pelas franquias “Fazendo meu filme” (Editora Gutenberg, 2009) e “Minha vida fora de série” (Editora Gutenberg, 2011), Paula atuou como professora de música antes de se dedicar integralmente à literatura. Essa trajetória se reflete na construção de seus personagens, que frequentemente se comunicam por meio de manifestações culturais. Em seu lançamento mais recente, “A Música da Minha Vida” (Editora Gutenberg, 2026), a música assume o protagonismo. Ela revelou que a protagonista Juju foi inspirada em sua própria adolescência, período no qual ela começou a tocar violão, influenciada por um colega de quem gostava. Para este livro, a autora gravou uma trilha sonora oficial, disponível em plataformas de streaming e que inclui a faixa autoral “Tudo que eu quero”.

Já Mih Tanino adota um processo criativo simultâneo: compõe canções ao mesmo tempo em que desenvolve os capítulos. Para seu livro mais recente, “Um Início Nada Perfeito”(Maquinaria Editorial, 2026), a escritora compôs um álbum com dez faixas que se conectam diretamente com a história. De acordo com a escritora, a faixa “Palhaço”, por exemplo, dialoga de forma direta com o momento em que a protagonista usa esse mesmo termo na obra. Essa fusão de mídias permite que o leitor mergulho no ritmo desenhado pela autora durante a escrita.

O debate também abordou a desconstrução da expectativa de perfeição na adolescência. Paula destacou que seus personagens cometem erros deliberados e lidam com as consequências práticas dessas falhas. Mih Tanino trouxe uma dimensão pessoal à discussão ao revelar que o livro e a música “Achar meu lugar” (Gente, 2022) abordam o bullying severo que sofreu no ambiente escolar. Ambas as autoras enfatizaram a importância de retratar a vulnerabilidade e de incentivar os leitores a buscarem redes de apoio familiar e profissional diante de adversidades. “Se você tem o sonho, segue aquele sonho até dar certo. Não é se vai acontecer, é quando, porque se a gente não desiste, uma hora acontece”, afirmou Paula. 

Pela manhã do segundo dia de evento, às 10h, os visitantes se agrupam para receber Conceição Evaristo no Salão de Ideas. A escritora de “Olhos D’Água”(Pallas,2014), “Canção para ninar menino grande”(UniPalmares, 2018) e a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Mineira de Letras, participou de uma conversa sobre “escrevivência”, conceito cunhado em seus livros que se tornou uma metodologia e descreve a união de vivências como mulher negra à escrita. Ao lado de Eliana Alves Cruz, jornalista e escritora de “Água de Barrela” (Malê, 2018), as escritoras reuniram um público de diferentes idades e foram aplaudidas de pé no início e fim da palestra.

A participação de Lynn Painter provocou uma grande movimentação na Arena Cultural. Fãs se aglomeraram no espaço e chegaram a se sentar no chão, enquanto aguardavam a autora de “Melhor do que nos filmes”(Intrínseca, 2023). Durante o painel, o público cantou um trecho de “idiota”, do cantor Jão, de quem Painter já declarou ser fã. Painter discursou sobre a adaptação de suas obras para o cinema e revelou que o filme de “Patinando no amor” (Intrínseca, 2026), da Sony Pictures, tem estreia prevista para julho de 2027.

Fechando a noite, Alice Oseman movimentou a Arena Cultural mais uma vez. A autora foi recebida pelo público com barulho de leques batendo e um coro de “Alice, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”. Na palestra, a autora falou sobre os bastidores de “Heartstopper” (Editora Seguinte, 2021) obra que ganhou adaptações em série e filme pela Netflix.

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