Com 760 mil visitantes e cinco dos dez dias com ingressos esgotados, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo movimentou o mercado literário entre 4 e 13 de setembro. O evento reuniu leitores nos estandes, editoras que registraram aumento no faturamento e títulos que ganharam destaque nas listas de mais vendidos, incluindo obras impulsionadas por adaptações para séries e filmes.
Entre descontos e promoções, compras aumentam na Bienal do Livro
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) registrou nesta edição, um aumento de 57% na média de faturamento dos expositores, comparado a 2024. Nos estandes mais procurados, como os da Rocco, Intrínseca e Companhia das Letras, o tempo também entrava na conta. Durante o primeiro fim de semana, algumas filas chegaram a ultrapassar uma hora, principalmente nos caixas e espaços das grandes editoras. Na edição de 2024, a CBL registrou um ticket médio de R$ 208,14 por visitante, valor que ajuda a dimensionar quanto o leitor costuma gastar durante a feira.
Adaptações atraem novos leitores na Bienal 2026
Um dos destaques da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi os estandes de editoras que publicam obras adaptadas para séries e filmes. Lançamentos a partir de produções audiovisuais como Off-Campus e Rivalidade Ardente apareceram entre os mais vendidos divulgados pelas editoras.
O universo de "Rivalidade Ardente" ganhou destaque na Bienal com Jogo a Longo Prazo, continuação da história de amor entre Shane e Ilya. O livro ficou em segundo lugar entre os mais vendidos da Alt e da Globo Livros. A editora também registrou crescimento de 100% nas vendas em relação à Bienal de 2024. Em 2025, a série ganhou uma adaptação produzida pela Crave, no Canadá. Com a repercussão da produção, os direitos de exibição foram adquiridos pela HBO Max, que ampliou o alcance da série. Para parte dos espectadores, o contato com a adaptação também se tornou uma porta para a obra original e despertou o interesse para os livros que deram origem à história.
Com "Off-Campus", o caminho é parecido. A série de Elle Kennedy, conhecida no Brasil como "Amores Improváveis", chegou ao Prime Video em 2026. Na lista da Companhia das Letras, "O Acordo", primeiro livro da série, ficou em nono lugar entre os mais vendidos da Bienal. O box "Amores Improváveis" também apareceu na lista, em sétimo.
Outro exemplo da relação entre literatura e audiovisual é "A Hipótese do Amor", de Ali Hazelwood. Publicado originalmente em 2021, o romance acompanha Olive, uma doutoranda que entra em um relacionamento de mentira com o professor Adam Carlsen. O livro ganhou uma adaptação cinematográfica produzida pela Amazon MGM Studios e lançada em 2026, com Lili Reinhart e Tom Bateman nos papéis principais. A chegada do filme às telas no mesmo ano da Bienal também reforçou a circulação da obra entre leitores e espectadores.
A presença desses títulos no topo das vendas mostra como uma adaptação pode devolver o público às páginas. Quem conhece a história pelo streaming pode procurar os livros para continuar acompanhando os personagens, conhecer acontecimentos que não apareceram na série ou simplesmente descobrir a narrativa em sua versão original.
Ao mesmo tempo, os leitores que já conheciam as obras passaram a acompanhar a adaptação com outro olhar. As diferenças entre livro e série viram assunto nas redes sociais, onde fãs comentam escolhas de elenco, mudanças na história e a maneira como os personagens foram transportados para a tela.
O fenômeno não se restringe às adaptações recentes, na editora Rocco, "Jogos Vorazes", de Suzanne Collins, esteve entre os dez livros mais vendidos da Bienal, ao lado de "Amanhecer na Colheita", novo título da franquia. "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de J.K. Rowling, também apareceu entre os destaques da editora. São histórias que já possuem adaptações cinematográficas conhecidas, mas continuam chegando a novos leitores.
"Heartstopper", de Alice Oseman, segue um caminho semelhante. A história, que começou nos quadrinhos, ganhou uma adaptação para a Netflix e ampliou seu público. O sexto volume apareceu entre os livros mais vendidos da Companhia das Letras durante a Bienal.
Entre uma série e um livro, as redes sociais têm papel importante. Depois de assistir a uma produção, o público encontra no TikTok, Instagram e outras plataformas vídeos, resenhas e recomendações sobre a história. O interesse pode crescer ainda mais quando leitores começam a comparar a adaptação com o livro.
O BookTok é um dos espaços cujo movimento ganhou força. Histórias que viralizam podem passar muito rápido de uma plataforma para outra, alcançando pessoas que talvez nunca tivessem procurado aquele título em uma livraria. Esse processo também fortalece os fandoms. O público não apenas assiste ou lê, ele comenta, recomenda e compartilha sua relação com os personagens. A história continua circulando mesmo quando não há um novo episódio ou lançamento.
A diferença é que, atualmente, o caminho até o livro pode começar em qualquer lugar. Um jovem pode descobrir uma história no streaming, procurar vídeos sobre ela nas redes sociais e só então comprar o livro. Outro caminho pode ser conhecer a obra pelas páginas e acompanhar a adaptação depois.
A literatura, não perdeu seu espaço para as telas. Em muitos casos, as telas ajudam a levar o público até ela. As adaptações funcionam como uma ponte entre quem já lê e quem ainda está descobrindo esse universo. Na Bienal, essa relação aparece não apenas nos corredores e estandes, mas também nos números de vendas. O sucesso de títulos ligados a adaptações mostra que uma história pode ganhar uma nova vida quando muda de formato.
Autores nacionais e internacionais disputam lista de mais vendidos da Bienal 2026
Ao final do evento, as principais editoras divulgaram os títulos que fizeram mais sucesso com os leitores. Raphael Montes, publicado pela Companhia das Letras, emplacou nove obras entre os mais vendidos da editora, incluindo as duas primeiras posições com "A Estranha na Cama" (2026) e "Jantar Secreto" (2016). Já no estande da Harper Collins, a autora Kristy Boyce, que esteve presente na Bienal 2026, liderou o ranking com a sua série de romance inspirados no mundo geek, "Dungeons e Drama" (2024), "Dates e Dragons" (2025) e, "Dados e Disputas" (2026).
A Rocco teve toda a lista de mais vendidos com nomes femininos, as primeiras posições ficaram com Ariani Castelo com o seu mais novo livro, "Coração de Cristal Partido" (2026), Ana Jeckel com Kiwi e "Os garotos perdidos" (2026), e Caro Claire Burke com "Bons Tempos" (2026), ainda se destaca Suzanne Collins que fecha a lista dos mais vendidos com os seus livros, "Amanhecer na Colheita" (2025), "Jogos Vorazes" (2008) e o Box de "Jogos Vorazes" (2010). Na Intrínseca, Lynn Painter dominou a lista, emplacando seis títulos na lista de mais vendidos, as primeiras posições ficam com "Patinando no Amor" (2026) e "Melhor do que nos filmes" (2023).
Na editora Alt, o top cinco de livros mais vendidos foram: "Adversária do Vilão" (2026) de Hannah Nicole Maehrer, "Jogo a longo prazo - The long game" (2026) de Rachel Reid, "Diários de uma apotecária" (2026) de Natsu Hyuuga, Box da série "Os Naturais" (2026) de Jennifer Lynn Barnes e "Em rota de colisão" (2024) de Bal Khabra. No Grupo Editorial Record, Colleen Hoover ficou em primeiro lugar com "Verity" (2018), seguida por Carla Madeira, com o seu novo livro "Quando" (2026) e Babi A. Sette com "Meu Mafioso Favorito" (2026).
Ali Hazelwood, autora publicada pela Editora Arqueiro, foi mais uma das autoras que dominou a lista de mais vendidos de uma editora, com "Jogo de Amor para Dois" (2026), "A Hipótese do Amor" (2021) e "Amor, Teoricamente" (2023) nas primeiras posições. Já na Gutemberg, tanto Paula Pimenta quanto Stephanie Garber empataram com ambas colocando três livros cada uma na lista de mais vendidos, sendo os melhores colocados, "A música da minha vida" - volume 1 (2026) e "Era uma vez um coração partido" (2022).