Victor Brecheret e a construção da brasilidade

A influência indígena na arte modernista em exposição na FIESP
por
Malu Malaquias
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24/08/2026 - 12h

O Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, recebe a exposição "Victor Brecheret: A Imagem Indígena como Símbolo de Brasilidade", dedicada à um dos principais escultores do Modernismo brasileiro. A mostra, que começou em 11 de junho e segue até 30 de agosto de 2026, reúne esculturas, desenhos, fotografias e documentos que apresentam a trajetória artística de Brecheret e destacam sua fase inspirada pelas culturas indígenas brasileiras. Realizada na Avenida Paulista, a exposição busca mostrar como o artista utilizou a figura indígena para construir uma representação da identidade nacional e ampliar o entendimento sobre sua contribuição para a arte brasileira. A curadoria é assinada por Maria Izabel Branco Ribeiro, em parceria com Fernando Brecheret, diretor do Instituto Victor Brecheret.

Nascido em 1894 em Farnese, na Itália, veio ainda criança para o Brasil e desenvolveu uma carreira marcada pela busca de uma identidade artística nacional. Ligado ao movimento modernista e ao círculo de intelectuais que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, tornou-se conhecido por obras monumentais que marcam a paisagem paulistana, como o Monumento às Bandeiras, localizado próximo ao Parque Ibirapuera. 

Sua produção artística concilia formação europeia adquirida durante os estudos na Itália e na França com temas ligados à cultura brasileira. Ao longo da carreira, o escultor passou a valorizar cada vez mais elementos da natureza e das culturas originárias do país, buscando desenvolver uma linguagem própria. Em uma carta enviada a Mário de Andrade, em 1924, Brecheret afirmou: "A respeito da minha arte, estou no momento de máxima simplicidade. Dentro das linhas e jogo de volumes encontrei inspiração, graças a Deus, pura arte, que é completamente original". A declaração evidencia seu desejo de alcançar uma expressão artística autêntica, livre de influências externas e conectada à realidade brasileira. 

Entre as peças reunidas na mostra, destaca-se Acalanto de Bartira, também conhecida como Mulher Deitada na Rede, considerada uma das obras mais representativas da trajetória de Brecheret. A escultura sintetiza características marcantes de sua produção artística, como as formas simplificadas, os volumes orgânicos e a valorização de temas ligados à identidade nacional. Outro trabalho de destaque é O Índio e a Suaçuapara, premiado na I Bienal de São Paulo, que evidencia o diálogo do artista com elementos da cultura indígena e demonstra a consolidação de uma linguagem escultórica própria. Juntas, as obras ajudam o público a compreender a evolução estética do escultor.

Escultura “ Acalanto de Bartira (Mulher Deitada na Rede)" exposta na mostra Victor Brecheret: A Imagem Indígena como Símbolo de Brasilidade, em cartaz no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista. Foto: Maria Luiza Leme Malaquias.
Escultura “ Acalanto de Bartira (Mulher Deitada na Rede)" exposta na mostra Victor Brecheret: A Imagem Indígena como Símbolo de Brasilidade, em cartaz no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista. Foto: Maria Luiza Leme Malaquias/AGEMT.

Nesse contexto, a exposição apresentada pela Fiesp oferece ao público a oportunidade de conhecer uma faceta menos conhecida de sua produção. 

Ela destaca obras, documentos e desenhos que revelam como o artista contribuiu para a construção de uma identidade cultural nacional e para a consolidação da arte moderna no país. Com entrada gratuita, a mostra permanece em cartaz até 30 de agosto de 2026, no Centro Cultural Fiesp, com visitação de terça a domingo, das 10h às 20h.

 

 

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