Todos os anos no feriado de Páscoa, os brasileiros se animam com os novos ovos de chocolate. Sejam os industrializados ou artesanais, dificilmente a data passa sem que seja adquirido ou ovo, feito em casa ou comprado. A expectativa do comércio varejista é de 10% no aumento das vendas em razão do comportamento brasileiro inclinado à presentear em datas comemorativas neste ano.
No entanto, a recente crise no mercado do cacau em anos anteriores ainda impactam os valores do chocolate nas prateleiras. De acordo com a analista da StoneX, Lucca Bezzon para o G1, mesmo com a queda do preço do cacau no campo, o ingrediente utilizado na fabricação dos produtos de páscoa foi comprado durante o auge da crise, momento em que os valores batiam recordes de aumento. Estes produtos mais consumidos na época do feriado foram impactados com cerca de 50% de variação de preço em 5 anos.

O destaque de aumento vai para o chocolate em barra e bombom, que sofreram alterações de quase 25% nos preços. As mudanças são sentidas principalmente pelos pequenos empresários, que anualmente precisam se adaptar para produzirem de forma lucrativa. Isabella Martins, proprietária da confeitaria Doce Apetite, em Osvaldo Cruz (SP), diz ter tido que mudar os valores de seus produtos em razão da alta do chocolate. “Tiveram produtos que a gente teve que diminuir um pouco nossa margem de lucro para passar um preço melhor para o nosso cliente” disse Isabella, que produz ovos de páscoa para venda há 6 anos.
Mas mesmo com as dificuldades de lidar com as mudanças de preço, as tendências para a data comemorativa continuam surgindo. Algumas delas são: ovos em fatias, barras recheadas, mini ovos e kits degustação, sabores de ovos inusitados – que vão desde o bolo de coco gelado até pistache estilo Dubai, entre outras.

Para os produtores, o otimismo é justificado pelos números. Segundo uma pesquisa realizada pela Harald, marca de chocolates e coberturas, focada no mercado profissional, o período pode representar até 40% da receita anual para a maioria dos confeiteiros, sendo a principal comemoração do ano para mais de 65% desses empreendedores. Esse dado conversa diretamente com o levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, que aponta que 65% dos brasileiros pretendem comprar presentes este ano — um crescimento de 4,2 milhões de novos consumidores no mercado. Embora a indústria ainda detenha 56% da preferência, o setor artesanal já conquistou 40% das intenções de compra. O que explica essa transição para o feito à mão é a busca por maior qualidade e personalização. O gasto médio previsto é de R$253.
A tendência do ovo em fatia é a mais forte. Viralizada nas redes sociais, como Tik Tok e Instagram, a proposta apresenta um ovo de chocolate dividido em até seis pedaços, cada um com um recheio diferente, apelando para o visual “instagramável” e a variedade de sabores. O que começou no ambiente artesanal rapidamente foi absorvido pela indústria: a Cacau Show lançou nesta semana uma edição limitada de 360g que combina três sabores da linha Dreams. O produto custa R$119,99 para clientes participantes do clube de fidelidade da marca.O movimento mostra que as grandes marcas estão atentas à agilidade dos pequenos confeiteiros em criar novos formatos.

Apesar da Páscoa ser celebrada em abril, para quem produz, o calendário começa muito antes. Como explica Isabella: "normalmente em janeiro, já começamos a estudar a questão dos insumos, forminhas etc, para já ir se preparando melhor e conseguir preços mais acessíveis”. No ano passado, por conta de uma mudança de espaço, a empreendedora registrou um faturamento de R$6 mil. Com um tíquete médio que varia entre R$40 e R$60 por cliente, o faturamento semanal gira em torno de mil reais.
Este ano, ela apostou na tendência do ovo em fatia: “a gente apostou por ser uma novidade muito boa”. Sendo assim, os produtos da loja variam de R$12 (mini ovinhos e coelhinhos) a R$130 (ovo em fatia). Mesmo com a diferença de preços, o fator decisivo para o cliente do setor artesanal vai além do valor na etiqueta. Segundo a confeiteira, há uma mudança na mentalidade: “Os clientes consideram muito o valor na questão da compra, mas eles também priorizam um pouco a experiência”.