O filme norueguês Valor Sentimental, dirigido por Joachim Trier, ganhou o Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional na cerimônia realizada neste domingo (15), no Dolby Theatre, em Los Angeles, ao superar produções de outros quatro países, incluindo o Brasil, e confirmar o favoritismo construído ao longo da temporada de premiações.
A obra é um drama intimista que acompanha o reencontro de duas irmãs com o pai distante, um diretor de cinema que enfrenta uma crise profissional e pessoal. A tentativa de reaproximação reabre feridas do passado e expõe ressentimentos acumulados ao longo dos anos, colocando em confronto diferentes visões sobre família, afeto e responsabilidade emocional. Ao longo da narrativa, o filme aborda escolhas pessoais, frustrações e a dificuldade de reconciliação, construindo um retrato sensível das relações familiares e dos impactos do silêncio e da ausência.
Joachim Trier é um dos principais nomes do cinema autoral europeu contemporâneo. Já conhecido por dramas intimistas; Valor Sentimental chegou ao Oscar 2026 como um dos principais favoritos da categoria após uma campanha consistente no circuito internacional. Sua trajetória nas premiações contou com a vitória no BAFTA, principal premiação do cinema britânico e um dos principais indicadores da corrida pelo Oscar. O longa acumulou ainda diversas indicações em categorias centrais da Academia, sinalizando amplo apoio entre os votantes e consolidando sua posição como uma das produções mais prestigiadas do ano.
Disputa internacional e repercussão da participação brasileira
A categoria de Melhor Filme Internacional concentrou uma das maiores expectativas da cerimônia do Oscar 2026, segundo veículos especializados como Variety, IndieWire e The Hollywood Reporter, que encerrou com o triunfo do longa norueguês Valor Sentimental. O resultado marcou o segundo ano consecutivo em que uma produção brasileira esteve entre os indicados, sinalizando a presença recente do país na principal premiação da indústria audiovisual mundial.
O Brasil foi representado no Oscar pelo filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias. Embora não tenha conquistado estatuetas, o longa se destacou ao longo da temporada por seu reconhecimento crítico e pela ampla circulação em festivais internacionais, consolidando uma trajetória relevante no cenário do cinema mundial.
A visibilidade do filme começou ainda antes da cerimônia, impulsionada pelos dois prêmios conquistados no Festival de Cannes, o que manteve a produção em evidência durante toda a corrida pelo Oscar. Em entrevista no tapete vermelho, o ator Wagner Moura ressaltou o valor simbólico da indicação e reconheceu a força dos concorrentes.
“Eu estou pensando que a gente tem que estar curtindo aqui. Se ganhar o Oscar, vai ser incrível. A gente chegou a um lugar muito bonito, muito legal. Representamos o cinema brasileiro por dez meses, desde o Festival de Cannes, mas, se a gente não ganhar, está tudo certo”, afirmou.
O resultado favorável à produção norueguesa reforça uma tendência observada nos últimos anos: o reconhecimento de narrativas autorais provenientes de diferentes cinematografias ao redor do mundo, de acordo com a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, a qual divulgou uma lista com os últimos vencedores da categoria de Melhor Internacional do Oscar. A Noruega possui presença histórica mais discreta nessa categoria do Oscar, com poucas indicações ao longo das décadas, segundo dados da própria Academia de Hollywood. Parte desse reconhecimento tem sido construído gradualmente a partir do circuito de festivais europeus, onde produções do país costumam ganhar projeção crítica antes de alcançar a premiação norte-americana.

Dados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) indicam que a ampliação do número de votantes internacionais a partir de 2016 contribuiu para uma maior diversidade entre os vencedores, movimento que tem privilegiado narrativas autorais e culturalmente específicas - característica presente na obra norueguesa premiada neste ano.
A repercussão foi imediata na imprensa estrangeira, com veículos como Variety e The Hollywood Reporter apontando o resultado como reflexo da crescente valorização do cinema global e um marco para a indústria audiovisual norueguesa. No Brasil, o anúncio gerou debates entre críticos e nas redes sociais, combinando frustração pelo resultado com o reconhecimento da projeção internacional alcançada pelo cinema nacional e de sua presença frequente entre os indicados recentes.