Suprema Corte italiana nega a extradição de Carla Zambelli

A justiça italiana determinou a soltura imediata da ex-deputada, do PL
por
Lara Manasseh
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26/05/2026 - 12h

Na última sexta-feira (22), Carla Zambelli, condenada pelos crimes de invasão do sistema do CNJ e falsidade ideológica, teve sua extradição negada pela Suprema Corte de Cassação de Roma, última instância do judiciário italiano. A decisão também incluiu a libertação imediata da ex-deputada do Partido Liberal, que estava em um presídio nos arredores da capital italiana. 

Em 11 de junho do ano passado, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, pediu ao governo federal a extradição de Zambelli. Somente em março deste ano, a Corte de Apelação de Roma determinou a deportação da ex-deputada, mas a defesa recorreu e acabou vencendo o processo. Com isso, a decisão da corte será levada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá 45 dias para dar seu parecer sobre a extradição.

Os advogados de Zambelli argumentaram que ela seria alvo de perseguição política e que supostamente haveria parcialidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Tentaram também caracterizar os processos como de natureza política, argumento comum em ações internacionais de extradição. 

Em vídeo feito nas redes sociais, o deputado estadual Bruno Zambelli (PL), irmão de Carla Zambelli, diz que a decisão da corte foi “um milagre”.

Carla Zambelli a esquerda e seu advogado intaliano a direita
Zambelli aparece ao lado de seu advogado, após ser solta Foto: Reprodução Instagram/@carla.zambelli 

A ex-deputada fugiu para a Itália em 2025, após o STF estabelecer uma pena de dez anos pelos crimes cometidos. Com sua cidadania italiana em mãos, ela fixou residência na Itália e alegou ter sofrido perseguição política pelo judiciário brasileiro, mas acabou detida em Roma por uma operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira, autoridades locais e a INTERPOL, em 29 de julho de 2025. 

O tratado recíproco de extradição entre o Brasil e a Itália está em vigor desde 1933 e determina que os países sejam obrigados a entregar, um ao outro, foragidos e figuras procuradas para cumprir sua pena ou serem levados para julgamento. 

Além dos crimes de invasão do sistema de mandatos judiciais com auxílio do hacker Walter Delgatti e falsidade ideológica, Zambelli também está sendo julgada por porte ilegal de armas e constrangimento ilegal com o emprego de arma de fogo. O Plenário do Supremo Tribunal Federal determinou pena de cinco anos de prisão pelo episódio que ocorreu dias antes das votações nas eleições de 2022 e atualmente se encontra pendente na corte italiana. Com isso, há dois processos de extradição, um feito pelo Ministro Alexandre de Moraes e outro pelo Ministro Gilmar Mendes. 

Em vídeo publicado no instagram de seu advogado, Pieremilio Sammarco, Zambelli comemora sua soltura e alega que sua vitória foi “consagrada à Deus”. De acordo com Fabio Pagnozzi, advogado da ex-deputada que cuida do caso no Brasil, ela permanecerá na Itália aguardando a aprovação do ministro Carlo Nordio.