A primeira passagem do grupo sul-coreano XLOV pelo Brasil na noite do primeiro domingo (03) do mês terminou sem show. Com fãs na fila, a apresentação prevista para às 20h no Tokio Marine Hall, na capital paulista, foi repentinamente adiada para o fim do ano após uma hora e meia de atraso.
Ontem (19), o deputado estadual Guilherme Cortez, do PSOL, comentou o ocorrido em seu perfil no X (antigo Twitter) e disse que irá acionar o PROCON para uma investigação das empresas envolvidas: “Esse deve ser o caso mais absurdo de violação aos direitos dos fãs que eu já vi desde que comecei a investigar a máfia dos ingressos. Se hoje foi com eles, amanhã pode ser com qualquer fandom.”
Em suas redes sociais, a Ninshi Entertainment, responsável pela promoção dos shows do grupo na América Latina, lamentou o ocorrido e apontou as empresas a serem contatadas para maiores esclarecimentos sobre o adiamento e o reembolso - se abstendo de responsabilidades. A produtora Rider 2, que exercia função intermediadora entre a Ninshi e o Tokio Marine Hall, afirmou que o adiamento repentino partiu da 257 Entertainment, gerência asiática do grupo que era contra a realização do show sem a participação de todos os membros.
Embora considerado um grupo de K-pop, o XLOV é formado por quatro integrantes de nacionalidades distintas: o líder Wumuti é da China, Hyun da Coreia do Sul, Haru do Japão e Rui de Taiwan. Com somente um ano de grupo, essa era a primeira turnê deles, sendo também a primeira vez dos integrantes em vários dos países.
Sem a existência de um acordo diplomático direto com Taiwan, Rui precisava de um visto para ingressar no Brasil. A exigência não se aplicava às demais paradas da turnê na América Latina - México e Chile. Assim, o taiwanês acabou detido ao desembarcar em Guarulhos no sábado (02), dia que antecedia o show, após a performance em Santiago na sexta-feira. Segundo o portal UOL, a falha foi resultado da ignorância quanto à burocracia brasileira por parte das agências Ninshi Entertainment e 257 Entertainment que esperavam conseguir a aprovação do visto no final de semana.
Até o momento do show, corria somente um boato sobre um possível problema de visto com o integrante. “Dois seguranças falaram que o Rui ficou preso no aeroporto. Só que a empresa não deu comunicado de nada. Cadê o comunicado oficial? A gente vai ficar nisso de disse me disse? Quem tem que dar essa informação não é nem a casa de shows, é a empresa que contratou eles, não?”, indaga a fã curitibana Mariana Machado em entrevista à AGEMT ainda em frente ao local da performance.
O primeiro comunicado oficial do grupo sobre a situação veio às 20h18 - após o horário previsto de início do show - no perfil XLOV_official no X (Antigo Twitter). A publicação não deixava claro se o show aconteceria ou não, somente que Rui estaria ausente da programação por razão de um “atraso inesperado na aprovação do visto durante o processo de emissão”.
Mariana, assim como demais fãs que adquiriram o pacote VVIP com direito a entrada antecipada para acompanhar a passagem de som (sound-check) do show estavam há seis horas em frente ao local: “Anunciaram um horário de 14h às 17h para fazer o check-in, fazer comprovação de meia, etc, mas simplesmente ninguém apareceu. Ninguém perto da fila do VVIP almoçou, passamos o dia inteiro com fome, porque eles falaram que íamos entrar às 14h”. No momento da entrevista eram oito da noite, mesmo horário em que o show estava previsto para começar.
Até aquele momento, uma hora e meia após a confusão, muitos fãs seguiam na fila esperando se o adiamento seria concretizado ou não. Já que a primeira publicação oficial sobre o assunto só explicitava a ausência de Rui. Pouco tempo depois, os demais integrantes Wumuti, Haru e Hyun abriram uma curta transmissão ao vivo pelo Instagram. Nítidamente maquiados e arrumados para a performance, Wumuti pediu desculpas e comentou que embora o grupo estivesse de acordo em seguir com o show em trio, incluindo Rui por ligação no telão, foram impedidos de subir ao palco. A live foi encerrada segundos depois.
“Desculpa todo mundo por esperar, estamos muito chocados e tristes com o que aconteceu com o Rui, e ele ficou triste com a situação pois queria muito encontrar as pessoas no Brasil. Queríamos fazer o show como trio e chamar o Rui por vídeo para ele participar e dar oi. Estamos confusos pois disseram que não podemos ir pro palco. Desculpa evols (apelido dado aos fãs), queríamos nos apresentar hoje.”, foi o que Wumuti, líder do grupo XLOV, disse em trecho da transmissão.
Depois disso, às 21h05 - uma hora após o horário em que o show deveria começar - o perfil oficial do grupo no X se pronunciou novamente. Dessa vez, anunciando que o show havia sido “inevitavelmente adiado” devido a “preocupações com a segurança”.
Em entrevista ao UOL, o assessor de imprensa Marcos Franke, da Rider 2, produtora intermediária entre Ninshi e Tokio contou: "O problema foi da parte asiática, que queria os quatro no palco e disse que sem os quatro não iria rolar. Existiu uma correria, preocupação, deixamos até van em Guarulhos, caso ele conseguisse o visto".
Somente na quinta-feira (07), a empresa Rider 2 publicou um comunicado oficial sobre o acontecimento. Lamentando o ocorrido, a empresa disse que segue “trabalhando para realizar esse encontro em breve, da forma que o público merece”. Além disso, reiterou que a decisão de adiar o show em cima da hora foi feita de forma conjunta com a agência do grupo, a sul-coreana 257 Entertainment, que até o momento não se pronunciou.
Para os fãs que ficaram na fila por horas, no frio e garoa, esperando o show que nunca aconteceu, o sentimento geral era de decepção. “Foi um descaso muito grande. Os seguranças disseram que a produtora falou que não podiam dar informação de nada.”, desabafou Mariana. Muitos se organizaram nas redes sociais em grupos para se ajudarem com informações de como proceder juridicamente. “Eu moro em Curitiba, vim de ônibus e trabalho amanhã às 7 horas da manhã. O que eu vou fazer agora? Quem é que vai me ressarcir?” relata ela.
A AGEMT entrou em contato com a Meaple, plataforma responsável pelos ingressos, e esclareceu que o reembolso do valor total dos ingressos será feito para aqueles que assim solicitarem: “O estorno será feito na mesma forma de pagamento utilizada na compra. O prazo para o valor aparecer pode ser de ATÉ 30 dias a partir da sua confirmação, e varia conforme a forma de pagamento escolhida e o processamento realizado pela operadora ou banco, algo que infelizmente está fora do nosso controle direto.” A empresa reiterou também que o evento foi reagendado, e que os ingressos atuais serão válidos para a futura data a ser divulgada em breve pela produtora.
Sem comentários da agência sul-coreana 257 Entertainment sobre a desastrosa passagem do grupo pelo Brasil, o XLOV segue em turnê para a Oceania. Na semana sequinte, fãs australianos criticaram nas redes sociais o atraso de duas horas e meia para o início do show de Melbourne. Sem explicações da organização sobre o motivo do atraso, o concerto seguiu normalmente após isso.