São Gonçalo e Cruz Vermelha oferecem atendimento a moradores com espectro autista

Coordenador técnico Thiago Lellis compartilha experiência dos serviços realizados por projeto solidário no Rio de Janeiro
por
Gustavo Song Jun Choi
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27/04/2026 - 12h

No município de São Gonçalo, segunda cidade mais populosa do estado do Rio de Janeiro, com cerca de 900 mil habitantes, o projeto Liberdade e Justiça Social, da Cruz Vermelha Brasileira, trabalha ativamente no serviço de assistência à população com transtorno de espectro autista (TEA) e portadores de deficiência auditiva (DA) por meio de atendimentos gratuitos em parceria com sua prefeitura, que englobam serviços como o de psicologia, psicopedagogia, psicomotricidade e libras. Thiago Lellis, o coordenador técnico desse projeto, em entrevista à AGEMT, conta sobre a experiência e desafios de seu trabalho.

O coordenador menciona que mesmo antes do início do projeto e seus serviços, em 2022, já havia um olhar da necessidade da cidade atender a demanda do público com TEA e DA. “Nosso projeto foi desenvolvido justamente por se encontrar esta defasagem dentro do município, óbvio que a noção que tínhamos era apenas a ponta do iceberg, pois boa parte das dificuldades só são realmente expostas à medida que a imersão na realidade deste público acontece”, diz ele.  

Equipe da Cruz Vermelha Brasileira filial de São Gonçalo
Equipe da Cruz Vermelha Brasileira filial de São Gonçalo - Foto: Cruz Vermelha Brasileira filial de São Gonçalo

Quando questionado se o número de pessoas que o projeto busca ajudar aumentou ao longo dos anos, Thiago confirma que houve um crescimento com o decorrer do tempo em relação ao número de indivíduos que tiveram acesso aos serviços que ele e seus colegas oferecem. No entanto, entre as dificuldades que lidam no dia a dia do seu trabalho social, comenta que apesar do projeto ter uma atenção local relevante e significativa, manter as pessoas engajadas nele ainda é um desafio. “Atrair pessoas é relativamente mais fácil do que mantê-los engajados [sic] ao longo do tempo. Lidamos com evasão por questões sociais, familiares e até financeiras”. 

Outro obstáculo que o coordenador enfrenta é a limitação de recursos, pois mesmo com o convênio municipal existente e o apoio institucional, ainda existe uma constante necessidade de otimizar recursos humanos, materiais, financeiros, além da necessidade de manter os assistidos engajados. “Muitas vezes a demanda da comunidade é maior do que a capacidade que conseguimos oferecer em nosso projeto”, desabafa Lellis.

Ainda nesse eixo, discute que apesar do projeto ter financiamento governamental e através de doações, ainda existem dificuldades no quesito da sustentabilidade por conta da limitação de recursos e crescente custo operacional, resultando em impactos diretos nos seus serviços. “Muitas ideias e demandas não conseguem sair do papel por falta de verba, além de profissionais da área que seriam de suma importância para a execução do nosso trabalho [que o projeto não consegue contratar] (...) infelizmente por questões também financeiras”, relata. 

Apesar disso, Lellis garante que atualmente o projeto cumpre seu papel social e gera impacto real na comunidade, e entende que isso é algo extremamente positivo. Mas também atesta que há sempre pontos a serem melhorados, listando exemplos como o melhor uso de ferramentas e mídias digitais, o aumento do alcance do projeto e a melhoria na experiência dos assistidos e familiares. “Diversas formas são importantes para contribuição e fortalecimento do nosso projeto. Parcerias para eventos e ações sociais, divulgação do nosso trabalho, campanhas de doações, apadrinhamentos e leis de incentivo”.