A retromania é a busca por uma identidade na qual pessoas realizam um retorno constante a estéticas, músicas e produtos culturais do passado. Isso acontece através do conforto em um mundo saturado de tecnologia digital.
A economia da nostalgia
A economia da nostalgia mistura marketing com comportamento cultural. Negócios usufruem das lembranças do passado e passam a criar vínculos emocionais ao transformar o que era antes considerado antigo, em “vintage”. Essas empresas encorajam a compra, trazendo ao consumidor um sentimento de pertencimento e conforto.
O mecanismo psicológico por trás da estratégia transforma o consumo em um refúgio emocional, reduzindo ansiedade e relembrando momentos com atalhos emotivos ao invés de inventar algo do zero e totalmente inovador.
Segundo o publicitário Pedro de Luna, formado na Universidade Federal Fluminense e fundador da empresa Ilustre Comunicação Criativa, que inclui a Ilustre Editora, o uso da nostalgia é uma forma de criar um vínculo emocional com o público, especialmente por meio de memórias afetivas positivas. “Hoje, em tempos digitais, as pessoas estão se voltando a objetos analógicos, buscando uma descompressão e revisitando formatos físicos porque perceberam que isso gerou algum afeto”, afirma De Luna.

O fenômeno dos “Kidults”
Os kidults, combinação dos termos em inglês “kid” – criança e “adult” – adulto, são adultos que consomem produtos, jogos, brinquedos etc. que tradicionalmente seriam direcionados a crianças, mas que usufruem desses itens para coleções pessoais ou busca por uma saudade da infância.
As gerações compostas majoritariamente por Millennials, que cresceram nos anos 1980 e 1990, hoje são o público-alvo das empresas. Atualmente, com o maior poder de compra, eles se tornaram alvo de negócios que constroem uma narrativa pronta que explora referências da infância e adolescência. O resultado são produtos que apelam primeiro à emoção e depois à razão.
Um exemplo é a Pop Mart. A empresa de entretenimento sediada em Pequim popularizou brinquedos colecionáveis de diferentes designers em caixas-surpresas e tem como público-alvo adultos entre 18 e 35 anos. Avaliada em cerca de US$ 34 bilhões, a Pop Mart aposta na nostalgia e no fator surpresa para estimular o consumo, pois o comprador só descobre qual personagem recebeu após abrir a caixa. Os produtos misturam design contemporâneo com personagens conhecidos de gerações anteriores, como Mickey Mouse, por exemplo.
