Não há duvidas de que, atualmente, Gabriel Bortoleto é o brasileiro mais citado no mundo da Fórmula 1. Nascido em 14 de outubro de 2004, o piloto do Programa de Desenvolvimento da McLaren é um dos principais relacionados à uma vaga na Sauber – que passará a ser Audi em 2026. Os rumores começaram apenas como uma esperança dos brasileiros, mas ganharam força nos bastidores.
Em 2023 foi campeão da Fórmula 3, pela Trident. Na temporada atual, em que defende a Invicta Racing na Fórmula 2, – onde é o grande favorito ao título – as conquistas do jovem na categoria, fizeram os olhos do alto escalão da Sauber/Audi brilharem com a possibilidade de ter o talento em seu segundo assento.
No momento, a equipe só anunciou o nome de Nico Hulkenberg para a próxima temporada, com a segunda vaga ainda em aberto. Valtteri Bottas é o outro candidato forte, e Mick Schumacher foi confirmado como opção por Mattia Binotto, o chefe da equipe. Théo Pourchaire e Franco Colapinto foram citados, mas Binotto não pareceu ter seu foco nos mesmos.
A notícia animou os brasileiros, que esperavam ter um representante do país desde 2017, quando Felipe Massa deixou a categoria.
Porém, antes de Bortoleto, existiram outros pilotos nacionais que trouxeram esperança para o Brasil, aon chegarem perto de conseguir uma vaga na principal categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1.
Sergio Sette Câmara
Enquanto Felipe Massa ainda estava na F1, em 2017, Sergio Sette Câmara era o nome que começava a se destacar. O jovem estreou pela MP Motorsport na Fórmula 2 e a contratação oficial aconteceu após um ótimo desempenho do piloto no Grande Prêmio de Macau, em 2016, enquanto ainda disputava a Fórmula 3.
Sergio era piloto da academia da Red Bull e enfrentava rumores de que deixaria o projeto. No entanto, Sette Câmara disputou a F2 por mais duas temporadas e teve a oportunidade de guiar um F1 durante uma demonstração, executada em Motorland Aragón. Mas sua estreia na categoria aconteceu em um teste oficial pela Toro Rosso, atual Racing Bulls, após o GP da Grã-Bretanha.

Em novembro de 2018, foi confirmado como piloto reserva da McLaren para a temporada de 2019. O brasileiro ficou no cargo ao longo de todo a temporada , mas não teve grandes oportunidades, apesar de bons feitos na F2 e algumas vitórias. No início de 2020, Sette Câmara anunciou sua saída da equipe britânica e retornou para a Red Bull.
Após assinar o contrato, Sergio fez o papel de piloto reserva da AlphaTauri (atual RB) e da Red Bull. Ao mesmo tempo, ingressou na Fórmula E, na equipe Dragon Racing, como competidor reserva e participante de testes para os novatos.
Em 2023, Sette Câmara foi transferido para a NIO 333 Racing. Atualmente, a equipe foi rebatizada como ERT Fórmula E Team, mas o brasileiro não tem certeza sobre seu futuro na categoria.
Guilherme Samaia
A carreira de Guilherme Samaia começou aos 12 anos, quando participava de competições de kart no Brasil. Em 2015, o brasileiro seguia no país e foi transferido para a Fórmula 3 Brazil Light, categoria que dava acesso à F3 Brasil. Em 16 corridas, ele venceu seis provas e conseguiu 13 pódios, se consagrando o campeão com 30 pontos de vantagem para o segundo colocado.
Essa vitória foi importante para lançá-lo para os campeonatos europeus. Ao longo de 2017, o piloto participou da F3 britânica e do Campeonato Euroformula Open e terminou a temporada como 13° e 17° nas competições, respectivamente.
Foi só em 2020 que Guilherme conseguiu alcançar a F2 e se aproximar do sonho de chegar à F1. Em sua primeira temporada, defendeu a Campos Racing, mas teve dificuldades em se adaptar ao carro e à equipe e não somou nenhum ponto.

Em 2021, o piloto foi transferido para a Charouz Racing System, onde se tornou companheiro de equipe de Enzo Fittipaldi, que fazia sua estreia na categoria. Guilherme terminou o ano em 24° colocado, também sem somar nenhum ponto.
Em um cenário sem grandes chances e perspectivas, Samaia anunciou a despedida oficial das pistas em 2022.
Pedro Piquet
De uma família já muito relacionada ao automobilismo, Pedro Piquet iniciou sua carreira no kart aos oito anos, em 2006. Porém, foi só em 2014 que conseguiu ingressar na Fórmula 3 Brasil, quando defendeu a equipe Cesário Fórmula.
Pedro teve um ótimo desempenho e venceu três corridas consecutivas — duas etapas em Tarumã e a primeira em Santa Cruz do Sul. Ao fim da temporada, teve 11 vitórias em 18 corridas, além de cravar seis pole positions.

Piquet teve passagens pela Toyota Racing Series e a F3 Europeia, além da GP3 Series e a FIA F3 antes de chegar a F2 em 2020, anunciado pela Charaouz Racing System. Na categoria de acesso à F1, o brasileiro teve dificuldades e não conseguiu sair da 20ª posição, terminando o ano com apenas três pontos conquistados.
Ao fim daquela temporada, o piloto anunciou que sairia do automobilismo, alegando questões financeiras. Desde então, o brasileiro disputa apenas pequenas competições.
Enzo Fittipaldi
Também de uma família com um relacionamento íntimo com o automobilismo, Enzo Fittipaldi tem um extenso currículo como monoposto e passagens por diferentes categorias. A carreira teve início em 2009, ainda no kart, onde ficou até 2015.
Sua estreia nas Fórmulas aconteceu em 2016, pela Prema Powerteam, o que lhe permitiu ser anunciado como um dos pilotos da Ferrari Driver Academy. Enzo focou totalmente na Europa a partir de 2017, mas seu primeiro sucesso chegou apenas em 2018, quando foi campeão da Fórmula 4 Italiana.
No ano de 2019, Fittipaldi participou do GP de Macau na Fórmula, quando defendeu a Charaouz. Seu bom desempenho permitiu que a estreia oficial acontecesse em 2020, com a HWA Racelab.
Já em 2021, Enzo se juntou novamente à Charouz Racing e conseguiu um pódio em Hungaroring, na Hungria. Em novembro daquele mesmo ano, ele largou pela primeira vez na Fórmula 2, em Monza, na Itália.

Enzo só passou a ser um competidor da F2 oficial em 2022, quando fez sua primeira temporada completa defendendo a Charouz. Naquele ano, o brasileiro trocou de companheiro de equipe três vezes e conseguiu terminar em oitavo na tabela de pilotos.
Em novembro de 2022, Enzo foi anunciado como piloto de desenvolvimento da academia da Red Bull. No entanto, em 2024, o brasileiro foi cortado do programa, apesar de seguir como um atleta Red Bull.
Sua terceira temporada na F2 acontece neste ano, em 2024, enquanto defende a Van Amersfoort Racing. Atualmente, o brasileiro está em 13° na tabela, tendo somado apenas 61 pontos.
Pietro Fittipaldi
Além de Enzo, a família Fittipaldi também teve muitas esperanças com Pietro, filho mais velho de Juliana Fittipaldi e Carlos da Cruz. O piloto teve o mesmo início de carreira de muitos, o kart.
Sua estreia nas Fórmulas aconteceu em 2013, na Fórmula Renault Championship, quando ficou como sexto colocado no campeonato. No ano seguinte, ele correu na Fórmula Renault 2.0 e sua atuação excepcional o garantiu na Fórmula 3 Europeia.
Ele conquistou dois títulos na Fórmula V8 3.5 Series, em 2015 e 2017. Porém, tomou um rumo diferente e começou a competir em múltiplas categorias, como a Super Fórmula na Ásia, e a LMP World Endurance Drivers.
Em 2018, mesmo com um forte acidente, que fez o brasileiro ficar afastado por meses, ele retornou às pistas, dessa vez, na Indy, disputando seis etapas.

Sua principal aproximação com a Fórmula 1 aconteceu em 2019, quando ele assinou com a Haas para se tornar piloto de testes pela equipe. Pouco tempo depois, após o acidente de Romain Grosjean no GP do Bahrein, Pietro assumiu o posto do Haas VF-20 a partir do GP de Sakhir.
Pietro acabou com o jejum de brasileiros na Fórmula 1, porém, ele seguiu apenas como piloto reserva no restante da temporada. Seu nome chegou a ser cogitado para seguir em 2021, uma vez que Kevin Magnussen e Grosjean deixariam o time. Porém, Mick Schumacher e Nikita Mazepin foram os selecionados, enquanto Fittipaldi seguiu como a terceira força.
Felipe Drugovich
Felipe Drugovich foi o último nome que trouxe esperança para os fãs de automobilismo no Brasil. O piloto teve uma carreira de sucesso e parecia chegar como um forte competidor para uma vaga no grid em 2023, um ano depois de vencer a Fórmula 2.
Drugovich fez sua estreia nos monopostos em 2016, correndo pela Neuhauser Racing na ADAC Fórmula 3. A temporada foi um pouco complicada para o piloto, que terminou apenas em décimo no quadro geral, mas foi o quarto na classificação de novatos.
O brasileiro teve mais oportunidades na F4 italiana, onde conquistou sete vitórias — mais do que qualquer outro competidor. No entanto, ele terminou o ano em terceiro e somou 236,5 pontos.
Felipe teve uma passagem positiva na Euroformula Open, e conquistou o título em Monza, com duas rodadas de antecedência. Em novembro de 2018, ele foi convidado para fazer os testes pós-temporada da GP3 Series em Yas Marina, com a ART Grand Prix.
As sessões foram boas e o piloto fez sua estreia na Fórmula 3 em 2019, defendendo as cores da Carlin Buzz Racing. À época, ele se tornou companheiro de Logan Sargeant e Teppei Natori e teve uma temporada complicada. Apesar da falta de desempenho, Drugovich ainda conseguiu uma colocação melhor que os companheiros. Ele terminou o ano em 16°, com apenas oito pontos.
Drugo foi contratado pela MP Motorsport, em 2020, para defender a equipe na Fórmula 2. Devido à COVID-19, sua estreia precisou ser adiada, mas não diminuiu o ‘brilho’ do brasileiro, que terminou o ano em nono, com 121 pontos.

Em 2021, ele seguiu na categoria, dessa vez, na equipe UNI-Virtuosi, com Zhou Guanyu como companheiro. Drugovich não teve uma temporada fácil, mas conseguiu terminar em oitavo. Porém, seu sucesso só chegou em 2022, quando retornou à MP Motorsport e conquistou o título naquela temporada.
Logo depois do triunfo, ele rapidamente foi contratado como o primeiro piloto da Academia de Desenvolvimento da Aston Martin, equipe da F1. O competidor teve seu primeiro contato com o carro em Silverstone, usando um monoposto antigo do time em testes para conseguir a superlicença.
Felipe passou a ser piloto reserva do time, acompanhando Fernando Alonso e Lance Stroll nas etapas, enquanto divide o calendário com suas responsabilidades na European Le Mans Series.
Recentemente, Drugovich foi confirmado para fazer um treino livre no GP do México em 2024, assumindo o carro do bicampeão Alonso. Porém, o brasileiro parece ter poucas chances de conseguir ingressar na Fórmula 1 nas próximas temporadas.