Redes sociais alavancam democratização da MPB

Pianista Hercules Gomes cria uma forma de compartilhar seu conhecimento sobre música popular brasileira e ganhar dinheiro na pandemia através da internet
por
Ana Beatriz Villela, Arthur Pessoa, Maria Eduarda Mendonça e Majoí Costa
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18/10/2021 - 12h

 

Com a ascensão da pandemia, vários músicos perderam verba por conta da falta de shows e contato direto com fãs e apoiadores. Enquanto isso, o pianista e professor Hercules Gomes popularizou e democratizou a música brasileira através das redes sociais e com isso conseguiu lucro para se manter enquanto os shows e concertos não eram possíveis de serem realizados.

Gomes defende a importância de trabalhar com a música nacional: “A nossa cultura é a nossa história, um povo sem cultura não é nada, não tem identidade, é contra isso que a gente tem que batalhar, o nosso maior valor é a nossa identidade”. Ele publica vídeos semanalmente no YouTube, e a maioria deles são a respeito de músicas brasileiras tocadas pelo piano. Em média ele tem  4.288 visualizações por vídeo e mais de 14.900 inscritos.

Atualmente o pianista está realizando um projeto de financiamento coletivo para a gravação de um EP (extended play ou “formato estendido”, em inglês), chamado Sarau Tupinambá. O projeto tem nome em homenagem ao Marcelo Tupinambá (1889-1953), compositor brasileiro que ganha nome de um conservatório em sua homenagem. “Marcelo foi muito importante para a criação da identidade da música brasileira, muitos o consideram até o pai da canção brasileira, é um cara importante que tá muito no esquecimento, assim como tantos outros que também são muito ricos”.

O professor reforça também quão essenciais são esses compositores no repertório de formação dos instrumentos musicais: “Eles são importantes para montar o quebra-cabeça que é o piano brasileiro, esse jeito brasileiro de tocar, com ritmo, com gingado. Muitas peças desse quebra-cabeça estão nesses pianistas que ninguém conhece hoje em dia, por isso é importante trabalhar esse tipo de repertório”.

Gomes também comentou sobre o começo de sua trajetória profissional e as relações com as redes sociais: "Minha carreira solo começou a partir da gravação do meu primeiro disco, ‘Pianismo’, em 2013, e foi inteiramente feita através das redes sociais. Eu comecei a ficar conhecido por causa delas, era o principal meio de contato com o público.” Ele revela que os sites que mais usa para esse fim são Facebook e YouTube.

No início do período do corona vírus no Brasil, quando as pessoas começaram a aderir ao costume de não sair de casa, muitos cantores observaram a possibilidade de continuar a ganhar dinheiro através das redes sociais, que foi o movimento das “lives”, principalmente no Instagram, Facebook e YouTube. Todos os tipos de artistas participaram, dos mais desconhecidos até às celebridades, como Alceu Valença, Marília Mendonça, Pabllo Vittar, DJ GBR, etc.

Com o início da pandemia, o pianista precisou arrumar outra forma de ganhar dinheiro, com isso, em dezembro de 2020 ele fez seu primeiro show online, por meio de um financiamento coletivo, assim, o show fica aberto para todos sem que tenham que pagar ingresso. Entretanto, os financiadores acabam recebendo um conteúdo especial, como palestras e "aulões" de piano. Para ele, esse patrocínio foi essencial: “Os meus patrocinadores por vários meses, inclusive em 2021, foram meu próprio público. Teve vários meses que eu não tive show nenhum, nem aula, e as campanhas de financiamento coletivo com o dinheiro que o público patrocinou determinado projeto que eu estava fazendo foi o dinheiro que bancou tudo: meu salário, a produção, aluguel de estúdio, compra de equipamentos, tudo.”

Finalmente, o músico lembra que, antes da pandemia, não tinha tempo para dar aulas, porém, com a ascensão das plataformas online, lançou um curso pago totalmente a distância, onde ele acompanha os alunos e pode dar um suporte maior fora do YouTube.

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