O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para o seu fim com um bom desempenho econômico, até então. O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa a pasta com vitórias e derrotas. No campo das vitórias, aprovou a reforma tributária, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$5 mil, deixou o país com a menor taxa de desemprego dos últimos oito anos, uma renda média recorde em 2025, uma inflação dentro do teto da meta e um PIB acima das expectativas em todos os anos. Já no campo das derrotas, os juros continuam altos e a dívida pública segue em disparada.
Além disso, mesmo com os bons indicadores econômicos, há uma disparidade entre os dados objetivos e a percepção da população. Segundo a pesquisa Genial/Quaest de maio deste ano, para 46% dos brasileiros, a economia piorou nos últimos doze meses. Para a economista, professora do curso de Ciências Econômicas da PUC-SP e especialista em comportamento do consumidor e crescimento e desenvolvimento econômico, Cristina Helena de Mello, em entrevista à AGEMT, existem diversos fatores para essa diferença de percepções. “São várias camadas, eu diria. Acho que a primeira é que os indicadores buscam dados objetivos. E a gente busca padronizar esses dados também com mensurações universais. Então, uma coisa é a forma como a gente mede, a outra é a forma como as pessoas sentem", explica Mello.
A mensuração busca dados distintos, mas a forma como a gente sente isso, as sensações enganam. "Tem uma outra questão que é: o custo de vida aumentou, e os salários não acompanharam. Então, em termos de poder de compra, essas pessoas não estão comprando mais, uma parte da população”, acrescenta. Para entender mais sobre esse assunto, te convidados para ouvir o podcast que procura traduzir o economês para o leitor. Aqui!