No domingo (7), a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo realizou sua 30ª edição na cidade de São Paulo com o tema “A rua convoca, a urna confirma”. A escolha destacou a importância da participação política e celebrou os 30 anos da urna eletrônica no Brasil. O evento reuniu cerca de 36,8 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common. O pico da manifestação ocorreu às 14h37, com margem de erro de 12%.
A edição de 2026 foi marcada pela queda de patrocínio, que alcançou seu ápice com cerca de 60% a menos de incentivo em comparação com anos anteriores. . Um dos principais efeitos dessas medidas é a diminuição da quantidade de participantes ao longo dos últimos anos: em 2024, foram 73,6 mil pessoas no evento; já em 2025, o número foi para 48 mil.
Com shows de Pabllo Vittar e Gloria Groove, além da presença dos deputados do PSOL Erika Hilton e Guilherme Cortez, os 14 trios elétricos reforçaram a importância do exercício da cidadania consciente em ano eleitoral.Na avenida, artistas, ativistas e representantes da sociedade civil defenderam pautas ligadas aos direitos da população LGBTQIA+, ao combate a projetos discriminatórios e à ampliação da representatividade política.
Os discursos destacaram a relevância da participação eleitoral como instrumento de manutenção de conquistas e direitos, enfrentamento de possíveis regressões. “A grande questão talvez seja a gente não perder o que já se tem, porque a possibilidade de retrocesso está muito grande com os políticos que, infelizmente, querem que a gente suma do mapa”, afirmou o professor de biologia Alexandre Fagundes Cesar, de 51 anos, que veio do Mato Grosso especialmente para a Parada.
Em maio, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) apresentou o projeto de lei 50/2025, que busca impedir a presença de menores de idade em eventos LGBT+ e restringir sua realização em vias públicas. A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal e aguarda votação final e decisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Para o advogado pernambucano Johnes Barbosa, de 30 anos, que também veio para São Paulo participar do evento, este é um ano ímpar para a Parada do Orgulho LGBT+. “A gente sabe que é uma celebração, mas acima de tudo é um manifesto”, afirmou.
A manifestação que deu origem à Parada aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt, em São Paulo, e reuniu cerca de 500 pessoas. No ano seguinte, a primeira edição oficial aconteceu na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas. Em 2006, a 10ª edição do evento bateu recordes internacionais ao reunir mais de 2,5 milhões de pessoas - marco que consolidou a edição paulista da Parada do Orgulho como a maior do mundo.
“Eu apanhei na Paulista quando ainda tinha ditadura porque eu beijei um homem. Eu apanhei da polícia na cara. Hoje isso não acontece. Hoje é lindo ver casais LGBT com um filho. Essas conquistas maravilhosas me emocionam”, declarou Edson, de 63 anos.
Ainda que as políticas públicas em prol da segurança da comunidade tenham avançado nos últimos anos, a violência contra pessoas homossexuais e bissexuais aumentou em 1.110,99% de 2014 até 2023, segundo o Atlas da Violência de 2025. Para pessoas transexuais, o aumento é ainda mais substancial: 1.607,69% de aumento de violência contra homens trans e um aumento de 2.340,74% contra pessoas travestis.
Para Louis, estudante de 15 anos, a transfobia é um dos assuntos mais urgentes dentro da pauta LGBT+. “Muitas travestis são espancadas no meio da rua e ninguém fala nada, não chega no jornal. Eu acho isso um pecado. Eles ficam falando que a gente é pecado, mas vão lá e cometem pior”, argumenta.