O senador Omar Aziz (PSD) foi eleito governador do Amazonas no segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25). Com 100% das urnas apuradas, o candidato recebeu 1.273.975 votos, o equivalente a 61,42% dos votos válidos, contra 800.328 votos (38,58%) da adversária Professora Maria do Carmo (PL), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória marca seu retorno ao comando do estado, após ter governado entre 2010 e 2014.
A chapa eleita tem Alessandra Campelo (PSD) como vice-governadora. No primeiro turno, Aziz recebeu 841.846 votos (40,63%) enquanto Maria do Carmo obteve 507.335 votos (24,49%). Os dois avançaram para a segunda etapa entre os sete candidatos.
Nascido em Garça, no interior de São Paulo em 1958, Omar José Abdel Aziz mudou-se para Manaus ainda criança. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), iniciou sua trajetória política no movimento estudantil no começo da década de 1980. Em 1988, foi eleito vereador de Manaus e em 1994, chegou a Assembleia Legislativa do Amazonas como deputado estadual.
Dois anos depois, assumiu a vice-prefeitura de Manaus, na chapa de Alfredo Nascimento. Em 2002, foi eleito vice-governador ao lado de Eduardo Braga (MDB), sendo reeleito em 2006. Assumiu o governo estadual em março de 2010, após a renúncia de Braga e venceu a eleição daquele ano, com 63,9% dos votos.
Primeira passagem pelo governo
Durante sua primeira gestão, uma das principais obras de infraestrutura foi a Ponte Rio Negro, inaugurada em outubro de 2011. Com aproximadamente 3,6 quilômetros de extensão, a estrutura liga Manaus ao município de Iranduba e passou a integrar a ligação terrestre entre a capital e cidades da região metropolitana.
Na saúde, a administração inaugurou o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, em 2014, na zona norte de Manaus. A unidade foi apresentada como uma alternativa para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública estadual.
A segurança pública também esteve entre as áreas de atuação do governo. Aziz implantou o programa Ronda no Bairro, que organizava o policiamento ostensivo por áreas delimitadas, com distribuição de viaturas e equipes policiais. O balanço da gestão, entretanto, foi marcado por dificuldades nas contas públicas. Em novembro de 2013, o déficit estadual já ultrapassava R$ 1 bilhão. Diante do cenário, o governo anunciou o congelamento de compras e reconheceu dificuldades financeiras, embora tenha atribuído parte do problema à redução das transferências federais.
Naquele período, as despesas de custeio da máquina pública haviam aumentado 24,5% desde 2011. O estado também havia ultrapassado o limite de gastos com essas despesas em relação à receita. A situação levou a administração a rever despesas e adiou investimentos previstos para outras áreas.
As obras de mobilidade urbana prometidas para a Copa do Mundo de 2014 também não foram concluídas. Os projetos de monotrilho e Bus Rapid Transit (BRT), apresentados como alternativas para melhorar o transporte público de Manaus, foram adiados. Na época, o governo atribuiu os atrasos à falta de liberação de financiamento pela Caixa Econômica Federal. A habitação também esteve entre as áreas de atuação do governo. Um dos projetos de maior dimensão foi o conjunto habitacional Viver Melhor, na zona norte de Manaus, desenvolvido em parceria com o governo federal. A iniciativa integrou o programa Minha Casa, Minha Vida e foi destinada a famílias de baixa renda.
Outro projeto que atravessou a gestão foi a Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Iranduba. Apresentada como uma iniciativa para ampliar a estrutura de ensino superior no estado, a obra não foi concluída durante o mandato de Aziz e permaneceu como um dos projetos de infraestrutura que não avançaram conforme o planejamento inicial.
Atuação no Senado
Após deixar o governo, em 2014, Omar Aziz foi eleito senador pelo Amazonas e assumiu o mandato em fevereiro de 2015. Durante sua atuação no Congresso Nacional, presidiu a Comissão de Assuntos Econômicos e participou de discussões sobre políticas econômicas e desenvolvimento regional.
Em 2021, ganhou projeção nacional ao presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. A comissão investigou a atuação do governo de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia, incluindo a condução das políticas de enfrentamento à doença e as negociações para a aquisição de vacinas. O relatório final da CPI pediu o indiciamento de Bolsonaro e de outras 79 pessoas por diferentes crimes relacionados à condução da pandemia. As conclusões foram encaminhadas aos órgãos responsáveis pelas investigações, mas os pedidos de indiciamento não representaram condenações judiciais.
Reeleito senador em 2022, Aziz também participou de discussões sobre direitos trabalhistas e economia. Em 2026, assumiu a relatoria de uma proposta de emenda à Constituição que prevê mudanças na escala de trabalho 6x1, tema que ganhou espaço no debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho.
Propostas para o novo mandato
Para o próximo governo, Omar Aziz apresentou propostas voltadas a ampliação dos serviços públicos e ao desenvolvimento econômico do Amazonas. Na saúde, uma das principais medidas anunciadas é a construção de hospitais regionais para ampliar o atendimento especializado no interior.
Na capital, o candidato também defendeu a construção de novas maternidades, unidades de pronto atendimento e policlínicas. Outra medida apresentada foi a ampliação de parcerias com hospitais privados para aumentar a oferta de consultas e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já na segurança pública, Aziz propõe a retomada do Ronda no Bairro e a ampliação do policiamento para os municípios do interior. Entre as medidas anunciadas estão concursos para as forças policiais, reforço da estrutura das delegacias e ampliação do atendimento durante 24 horas.
A habitação também aparece entre as prioridades da campanha. O senador anunciou a construção de 40 mil moradias na capital e no interior. A proposta, entretanto, depende de investimentos e parcerias para sair do papel, além de recursos destinados à infraestrutura dos novos conjuntos habitacionais.
O desenvolvimento econômico é outro eixo do plano apresentado. Aziz defende o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e a diversificação das atividades produtivas do estado, com incentivos a setores como bioeconomia, turismo, piscicultura e produção agrícola. O plano também prevê investimentos em infraestrutura e logística para facilitar o escoamento da produção do interior. Na educação, o candidato propõe ampliar o ensino profissionalizante e tecnológico, além de retomar a expansão das escolas de tempo integral. Entre as iniciativas anunciadas está a oferta de cursos técnicos em áreas relacionadas à inovação e à tecnologia.
A execução das medidas anunciadas e a capacidade de financiamento das obras estarão entre os pontos acompanhados durante a próxima gestão que começará em 2027, para um mandato de 4 anos.