A brincadeira conhecida como “pega-pega” pode muito bem ter sua origem identificada a partir de um dos atos mais básicos desde o surgimento de diversos tipos de espécies: o ato de um perseguir o outro. Ato que pode, inicialmente, ter sido majoritariamente motivado por intenções de violência com o objetivo de ferir ou caçar o outro. Mas que virou, também, uma simples brincadeira divertida entre amigos ou irmãos da mesma espécie, onde a perseguição é motivada pelo esporte amistoso de velocidade.
Essa brincadeira “primitiva” onde um tenta alcançar e pegar o outro, também se apresentou desde os primórdios na humanidade; mas a diferença é que o pega-pega se tornou um elemento cultural para a espécie. Isso ocorreu a partir do momento em que as pessoas começaram a criar variantes e regras da brincadeira para torná-la um jogo elaborado com restrições e mais elementos que tentam elevar a experiência original da simples perseguição.
Exemplos disso, são a atribuição de cargos de “perseguidor” e “fugitivo” dentro do jogo, invenção de regras como no “pega-pega congela”, onde o fugitivo que foi alcançado e tocado por um perseguidor deve permanecer parado ”congelado” até ser “descongelado” por outro fugitivo ao tocá-lo; e até mesmo competições de pega-pega que contam com restrições e juízes para garantir que haja um jogo justo dentro dos padrões estabelecidos.
Assim, com atribuição desses elementos que visam aprimorar o divertimento e civilização da brincadeira, é possível observar que foi colocado um valor cultural humano ao pega-pega. Ou seja, a atividade se tornou algo além apenas de sua “bruta” realidade por conta da “interferência” antropológica.