O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou, de última hora, a viagem ao Chile, onde participaria da cerimônia de posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, realizada na quarta-feira (11) em Valparaíso. O Palácio do Planalto não apresentou justificativa oficial para o cancelamento, embora a viagem constasse na agenda presidencial e estivesse confirmada desde a semana anterior, conforme registro no site oficial da Presidência.
Com a ausência do presidente, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou da cerimônia em nome do governo brasileiro.

Eleito em dezembro de 2025, José Antonio Kast assume o governo chileno após o fim do mandato de Gabriel Boric. De extrema direita, o novo presidente já teve divergências com Lula, mas ambos se reuniram em janeiro, no Panamá, para discutir temas como comércio e cooperação regional. A nova administração inaugura um mandato com possíveis repercussões em áreas sensíveis da relação bilateral, como política ambiental e integração regional. Segundo fontes próximas à Presidência, Lula deve retomar o diálogo com o governo chileno em ocasiões futuras, seja por meio de visitas oficiais, seja em encontros multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A decisão repercutiu na imprensa internacional, que acompanha a postura do Brasil diante de governos de diferentes orientações políticas na região. Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o cancelamento da viagem pode estar relacionado ao convite feito por Kast ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participação da cerimônia. O convite ao pré-candidato à Presidência da República e adversário político direto de Lula teria sido interpretada pelo Palácio do Planalto como um desrespeito e possível fator de “situação desconfortável”, o que teria pesado na decisão presidencial de não viajar.
Apesar do cancelamento da viagem presidencial, o governo brasileiro reiterou, por meio do Itamaraty, o interesse em manter e aprofundar as relações bilaterais com o Chile, consideradas estratégicas na América do Sul, independentemente da presença do presidente na solenidade. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não divulgou nota específica sobre os motivos da decisão, limitando-se a informar que o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, em linha com os protocolos diplomáticos adotados em compromissos internacionais.