Lucas Paquetá foi contratado pelo Flamengo por R$ 260 milhões

Valores de transferência do futebol brasileiro bate recorde duas vezes em 2026; cifras somam quase meio bilhão de reais
por
Vinícius Evangelista
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26/03/2026 - 12h

Estamos em março e o recorde de maior transferência da história do futebol brasileiro foi quebrado por duas vezes. Em 28 de janeiro, Lucas Paquetá foi contratado pelo Flamengo por 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões na cotação de 26 de março) vindo do West Ham United, da Inglaterra. O anúncio foi feito apenas 11 dias depois de Gerson ter se transferido do Zenit, da Rússia, para o Cruzeiro por 25 milhões de euros (cerca de R$ 176 milhões), sendo, até então, a contratação mais cara do futebol nacional.

A superação dos valores e quebras de recorde têm sido cada vez mais frequentes nas transações entre clubes do mundo inteiro e, em especial, no Brasil que tem as 13 contratações mais caras realizadas nos últimos cinco anos. “Os valores espantam, porém é uma tendência global, o mercado está inflacionado, não é uma exclusividade do futebol brasileiro.”, explica Gabriel Renan, cientista contábil e experiente no mercado financeiro. “Houve um aumento sistemático de direitos de transmissão, são valores muito robustos. É natural que, tendo mais dinheiro, você vai ter transações mais ousadas”, acrescenta Renan.

Ele afirma que os valores tendem a aumentar ainda mais, principalmente se os clubes se organizarem em uma liga independente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Atualmente, os clubes seguem discutindo a distribuição de valores e estão divididos em dois grupos: a Liga do Futebol Brasileiro (LIBRA) e a Liga Forte União (LFU). Se considerarmos os valores corrigidos pela inflação, Paquetá segue como o jogador mais caro, porém em segundo aparece Edmundo, contratado em 1999 pelo Vasco da Gama por 15 milhões de dólares pagos ao Fiorentina, da Itália, equivalente a R$ 24 milhões em valores da época e R$ 183,5 milhões nas cifras atuais, ficando a frente da quantia paga pela aquisição de Gerson.

“A gente tem que contextualizar, essa foi uma contratação de uma parceira do Vasco na época, a NationsBank, que injetou dinheiro no futebol”, afirmou. Ele explica ainda que isso era comum na época, usando de exemplo o Palmeiras e sua famosa parceria com a Parmalat e o Corinthians, com o extinto Banco Excel. “Não era algo que tinha relação com a sustentabilidade dos clubes, muito pelo contrário, as receitas eram tímidas e isso (contratações de alto valor) só era possível com capital externo”, disse.


No panorama internacional dos dias atuais, os números brasileiros ainda ficam atrás das maiores transações já registradas. Ainda seguem como as transferências mais caras do futebol mundial Neymar saindo do Barcelona, da Espanha para o francês Paris Saint-Germain, em 2017, por 222 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhões), e Kylian Mbappé, transferido em definitivo dentro do mesmo país, partindo do Monaco também para o PSG, por cerca de 180 milhões de euros (também mais de R$ 1 bilhão).

Ainda assim, a recente movimentação no Brasil indica uma convergência parcial, especialmente no esforço de clubes em repatriar jogadores em alta no futebol europeu, como foi o caso de Vitor Roque, que voltou ao Brasil em 2025 após atuar por duas temporadas no Barcelona, da Espanha. O palmeiras pagou 25,5 milhões de euros pelo atacante (cerca de R$ 153 milhões), sendo a terceira transferência mais cara em números absolutos e a sexta maior, quando considerada a correção inflacionária.

No mercado de transferências, o Brasil ainda se configura como país majoritariamente exportador, com suas maiores vendas envolvendo clubes europeus. A maior da história segue sendo a de Neymar, saindo do Santos, em sua primeira passagem, para o Barcelona, em 2013, por 88,4 milhões de euros (cerca de R$ 473 milhões). Na sequência, aparece a compra de Vitor Roque pelo Barcelona, por aproximadamente 74 milhões de euros (aproximadamente R$ 395 milhões) pagos ao Athletico Paranaense, e Endrick, vendido pelo Palmeiras ao Real Madrid por valores que podem chegar a 72 milhões de euros (cerca de R$ 385 milhões). Também figuram entre as maiores negociações Vinícius Júnior, do Flamengo para o Real Madrid, e Rodrygo, do Santos para o mesmo clube espanhol, ambos por 45 milhões de euros (cerca de R$ 241 milhões cada).

Outro ponto que acompanha a valorização das transferências é o crescimento dos salários no Brasil. Segundo levantamento do portal R7, ao menos seis jogadores que atuavam no país em 2025 recebiam mais de R$ 2 milhões mensais. De acordo com estudo realizado por FiscalData, esse valor corresponde a quase quatro vezes mais do que o mínimo necessário para estar entre os 0,1% mais ricos do país. Em contraste, a renda média da população é de R$ 3.613. “Proporcionalmente em receita, os clubes tendem a 70% de gasto em folha salarial, nos anos 90 também era isso, a proporcionalidade do gasto não mudou durante o tempo, a questão é que hoje os valores são muito maiores” , explicou Gabriel e ainda acrescentou que “estamos falando de clubes que faturam bilhões, é natural que os jogadores ganhem na casa dos milhões. 

Ainda segundo Renan, “jogador de futebol dos grandes clubes ganham muito e fazem parte da camada mais rica do país, isso é um fato. Mas se tem mais dinheiro rolando nesse negócio, nada mais justo do que ter a valorização dos principais artistas do espetáculo”.