Irã ataca países do Oriente Médio

Países detentores de bases militares americanas se tornam alvos em resposta à ofensiva dos EUA e de Israel
por
Juliana Hochman
|
09/03/2026 - 12h

Na madrugada de sábado (28), os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã por vias marítimas e aéreas. Na manhã do mesmo dia, o exército da República Islâmica do Irã reagiu com mísseis e drones enviados para Israel e países vizinhos que possuem bases militares estadunidenses.O conflito, agora com quase uma semana de extensão, não tem previsão de cessar-fogo.

O começo do conflito

Em um vídeo para a Truth Social, o presidente estadunidense Donald Trump diz que investir contra o Irã teve como objetivo defender o povo americano, aniquilar as forças armadas iranianas e destruir o programa nuclear. As incursões, ocorridas na madrugada de sábado (28), encabeçadas pelos Estados Unidos, também tiveram apoio israelense. Segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o Irã é o adversário mais perigoso de seu país, após a queda do regime Bashar Al-Assad na Síria e o enfraquecimento do grupo terrorista Hezbollah, administrado financeiramente pelo Irã.

 Na madrugada deste sábado no Irã, ofensivas por via marítima e aérea ocorreram na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Além de inúmeros feridos, houve, até o momento, mais de 500 mortes, entre elas a do líder aiatolá Ali Khamenei.

Presidente Donald Trump em entrevista com a Truth Social, confirma ataques ao Irã. Foto: Reprodução/Truth Social.
Presidente Donald Trump em entrevista com a Truth Social, confirma ataques ao Irã. Foto: Reprodução/Truth Social

Reação iraniana

Em resposta à investida, o Irã lançou uma série de mísseis balísticos em direção à países do Oriente Médio com instalações militares americanas presentes em seus territórios, sendo eles: Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Iraque e Catar. Dubai, capital dos EAU, foi atingida com danos leves no Aeroporto Internacional. Ao todo, foram 36 feridos e uma morte.

Israel também foi um alvo iraniano. O projétil atingiu Beit Shemesh em uma área residencial, nove pessoas foram mortas, 11 estão desaparecidas e quase 30 feridas, duas delas em estado grave.Também foi alvo Tel Aviv, deixando mais de 20 pessoas machucadas e uma morte. Sirenes tocam em toda a região.

Em entrevista para a AGEMT, o jornalista correspondente internacional da Globo News, Michel Gawendo, fala sobre a possibilidade de um cessar-fogo nos próximos dias: “A guerra é a diplomacia levada ao extremo, e para sair dela é preciso um caminho diplomático. Sem nenhum líder supremo militar, por enquanto, no poder iraniano, já que os principais foram eliminados, não existem condições para um cessar-fogo”.

Ataque de míssil iraniano em Tel Aviv, Israel. Foto:Reprodução/John Wessel.
Ataque de míssil iraniano em Tel Aviv, Israel. Foto:Reprodução/John Wessel.

A entrada do Hezbollah no combate

 O agravamento do combate se deu na noite de domingo (1), quando o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado, principalmente, pelo governo Iraniano, lançou foguetes e drones para o norte de Israel, como resposta aos bombardeios no território libanês. Ao menos 50 pessoas foram mortas no ataque.

Gawendo fala sobre o porquê do grupo ter se envolvido no embate militar: “ De um ponto de vista militar, o Irã tem muitos aliados, sendo a rede de aliados países principalmente xiitas, grupos terroristas e milícias ao redor do mundo, então, na realidade de estar sendo atacado pelos Estados Unidos e por Israel, bombardeado fortemente, suas estruturas militares e suas capacidades de mísseis vão diminuindo, naturalmente, ele vai acionar o que ele tem ao seu alcance, grupos aliados para os ajudar”.

Em comunicado oficial, a Casa Branca supõe que o conflito deve perdurar por mais quatro ou cinco semanas. Trump disse que os EUA podem ir além, se continuarem os ataques às suas bases militares no Oriente Médio, piorando não só a economia global, mas criando especulações de uma terceira guerra mundial nas redes sociais.