As invisiveis barreiras preconceituosas do futebol

Pesquisadora fala sobre como a representatividade deve ir além dos campos
por
Vitoria Wu
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28/04/2026 - 12h

O futebol é conhecido como o esporte mais democrático do mundo. Presente em diferentes classes sociais e culturas, ele ocupa um papel central na vida de milhões de pessoas. No entanto, por trás da ideia de universalidade, ainda existe desigualdades que limitam o acesso e a visibilidade de diversos grupos dentro dessa pratica esportiva. 

  

Historicamente, o futebol foi um espaço de exclusão. No Brasil, jogadores negros enfrentaram barreiras como o racismo para participar de clubes no início do século XX. Com o tempo, nomes como Pelé ajudaram a transformar esse cenário dentro de campo, tornando-se símbolos de excelência e ampliando a presença negra no esporte, “essa representatividade não se reflete de forma proporcional fora dos campos” afirma a guia Renata Beltrão

Painel em homenagem ao Jogador Pele no Museu do futebol-@euvi_.22
Painel em homenagem ao Jogador Pele no Museu do futebol-@euvi_.22

Outra dificuldade muito enfrentada é o machismo. Atletas como a Marta Vieira são ícones para o brasil e o mundo, apesar das dificuldades dentro e fora do campo ela nunca abaixou a cabeça mesmo estando em uma área considerada “masculina”. Por isso mulheres como ela são tão importantes para o mundo futebolístico, pois elas sempre estão inspirando jogadoras novas e velhas.

Painel em homenagem a volta das mulheres ao futebol-@euvi_.22
Painel em homenagem a volta das mulheres ao futebol-@euvi_.22 

A exclusão também se manifesta nas arquibancadas e nos gramados por meio de episódios recorrentes de racismo. Jogadores como Vinícius Júnior têm denunciado ataques sofridos durante partidas, o que abre novamente para debates sobre as medidas adotadas por clubes esportivas. Apesar de campanhas institucionais, punições mais rigorosas ainda são necessárias para combater o problema de forma efetiva. 

  

Além disso, iniciativas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência, como o futebol adaptado, mostram avanços importantes, mas ainda recebem menor notoriedade e investimento quando comparadas ao futebol tradicional. Para muitos atletas, o reconhecimento permanece restrito a eventos específicos, como competições paralímpicas. 

  

Diante desse cenário, a pesquisadora Nathalia Fernandes Pessanha defende que a representatividade no futebol deve ir além da presença simbólica. É necessário ampliar o acesso às categorias de base, garantir oportunidades iguais de desenvolvimento e promover diversidade também nos espaços de decisão. 

  

Embora o futebol continue sendo um importante, ele ainda reflete as desigualdades presentes na sociedade. A construção de um ambiente mais justo no esporte depende não apenas de discursos, mas de mudanças estruturais que garantam, de fato, espaço para todos.