Iniciativa anual de Paes movimenta em média R$ 450 milhões na economia carioca

Megashow de Shakira em Copacabana deve atrair multidão de fãs e bater recordes de faturamento
por
Juliana Salomão
Luiza Zequim
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27/03/2026 - 12h

Madonna, Lady Gaga e, agora, Shakira: esses são os nomes internacionais de peso que movimentam o “Todo Mundo No Rio”. A iniciativa criada pelo prefeito Eduardo Paes, em 2024, nasceu com o objetivo de atrair grandes públicos para megashows gratuitos na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Neste ano (2026) ganha um novo capítulo com a confirmação da estrela colombiana Shakira no próximo 02 de maio.  

Quando foi apresentado em parceria com a produtora Bonus Track, o evento foi aprovado por não ter custos diretos para os fãs, sem contar com passagens, reserve hotéis, alimentação e produtos de higiene. Desde que começou a ser realizado, o “Todo Mundo no Rio” depende de um estudo logístico prévio. Quase um ano antes do dia do show, é preciso que o governo traga patrocinadores dispostos a investir, crie um ambiente seguro na praia e tenha respaldo econômico suficiente para não gerar uma dívida interna com a contratação de um cantor internacional. 

Cada micro decisão de um visitante na “cidade maravilhosa” causa impactos, mesmo que mínimos, na economia local. Foi com base nessa estrutura socioeconômica que a iniciativa foi renovada para 2026. Em janeiro, Paes fez mistério nas redes sociais, instigando a possibilidade de trazer Adele, Justin Bieber, Beyoncé, ou até Rihanna, que está fora dos palcos desde 2016. 
 

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Publicação da Prefeitura do Rio de Janeiro instigando o público sobre quem seria o convidado do "Todo Mundo no Rio" deste ano (Foto: Reprodução/X)

Números da Embratur, divulgados em março de 2026, mostram que mais de 8,5 mil passagens aéreas já foram reservadas por estrangeiros para o período entre 26 de abril e 2 de maio. O índice inicial marca um crescimento de 80,75% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando Madonna se apresentou na cidade, e se aproxima do registrado no show da Lady Gaga em 2025. Diante desse potencial de arrecadação e visibilidade, a cidade de São Paulo consolidou uma estratégia jurídica para flexibilizar o uso da Avenida Paulista por meio da revisão do seu Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A gestão de Ricardo Nunes articulou a permissão para um megashow gratuito no dia 5 de setembro, tendo nomes cotados como Coldplay, Bruno Mars e Rolling Stones. O acordo estabelece contrapartidas rigorosas, como controle de acesso e multas de R$ 100 mil por descumprimento de normas técnicas. Assim como em Minas, o movimento paulista ocorre em meio a um cenário de proximidade com as urnas.

Madonna X Lady Gaga: qual artista teve o maior show

Dois anos atrás, a apresentação que debutou o projeto atraiu cerca de 1,6 milhão de turistas estrangeiros e movimentou mais de R$ 300 milhões na economia local. No ano seguinte,  a apresentação de Lady Gaga chegou a reunir 2,1 milhões de pessoas em Copacabana,  quase o dobro do primeiro, com arrecadamento médio de R$ 600 milhões para a cidade. Dados do setor de turismo registraram que a performance da dona de hits como “Popular”, custou R$ 10 milhões para a prefeitura — posteriormente, o faturamento foi três vezes maior. O sindicato dos hotéis do Rio completou a análise ao registrar que naquele fim de semana, 95,95% da rede hoteleira do bairro praiano estava reservada. 

Em 2025, o sucesso se repetiu e dobrou de tamanho. A passagem de Gaga impactou mais de 1,5 bilhão de pessoas e elevou o evento para nível mundial ao registrar turistas de mais de 20 países. Foi com o “Gagacabana" que a artista se tornou a mulher com o maior público da história. 

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Registros do show de Lady Gaga em Copacabana (Foto: Cortesia/David Zanon)

 

Em entrevista à AGEMT, Camila Dimas, que viajou ao Rio para a apresentação de Madonna, compartilhou sua experiência. Como não foi sua primeira visita, Camila fez uma leitura sobre quais setores sentiu maior aumento nos valores. Não vi muita diferença nos preços de alimentação e cultura. Senti mais na hospedagem e nas passagens”, declarou. Ela conta que reservou repentinamente um apartamento no aplicativo Airbnb junto a um grupo de amigos, mas teceu críticas à estrutura da cidade. Tivemos perrengues, principalmente, na locomoção. O transporte do Rio não é amplo, o metrô é muito caro e não tem estrutura suficiente para receber quase 2 milhões de pessoas, além do risco de furtos”, completa. 

A capital fluminense é pioneira na realização de megaeventos gratuitos. Nos anos 1990, Jorge Ben Jor e Rod Stewart transformaram a praia de Copacabana em um palco para 3 milhões de pessoas. A presença das atrações globais no Rio despertou o interesse de outros estados pela viabilidade logística desse modelo. Segundo Marta Poggi, consultora especializada em marketing e inovação no turismo: “Os mega shows funcionam como verdadeiros catalisadores do ecossistema turístico, ativando uma cadeia ampla e independente. Entre os principais setores, hospedagem, transporte, alimentação, comércio local, serviços turísticos e economia criativa e eventos. O visitante não consome apenas o show, ele consome o destino”, diz Poggi. 

 

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