Haddad participa do Roda Viva e confronta atual gestão

O candidato do PT respondeu perguntas sobre seu plano de governo ao abordar as questões de segurança pública, crime organizado, educação, bets e saúde
por
Isabella Damião
Sophia Aquino
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04/09/2026 - 12h

 

Na última segunda-feira (31), o candidato à governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participou do programa Roda Viva da TV Cultura. O ex-ministro respondeu aos questionamentos de jornalistas e estudantes presentes sobre seus planos de governo em relação ao crime organizado, às bets e à privatização da Sabesp. 

O candidato reiterou seu posicionamento em envolver a Polícia Federal e a Receita Federal na investigação do PCC em São Paulo. O “gabinete anti-facção”, proposto por Haddad, seria presidido pelo próprio governador e organizaria a segurança nacional e paulista, uma vez que o crime, segundo o ex-prefeito, não tem mais cunho regional. "Enquanto estivermos fragmentados e com uma falsa disputa de protagonismo, não vamos chegar lá”, afirma. 

Ao falar do PCC, Haddad minimiza a classificação da facção como grupo terrorista pelos Estados Unidos. Para ele o importante é como se trabalha o combate: “essa é uma questão menor, como você vai chamar, máfia, organização terrorista, facção. Terrorismo é uma outra categoria que eles inventaram nos Estados Unidos, com o suporte aqui da extrema direita para criar confusão na cabeça da opinião pública.”

Questionado sobre envolvimento do crime organizado na esfera pública, inclusive no Partido dos Trabalhadores, Haddad alega comparação indevida. O ex-ministro faz referência à acusações contra o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), e cita a investigação do caso Master, o suposto envolvimento de Flávio com milicianos do Rio de Janeiro e supostos esquemas de lavagem de dinheiro. Sobre o vereador petista mencionado, Haddad afirma: “Se tem vereador de A, B ou C, investiga, pune e prende, não tem conversa”.

Fernando Haddad no Roda Viva. Foto: Reprodução/Instagram @fernandohaddadoficial
Fernando Haddad no Roda Viva. Foto: Reprodução/Instagram @fernandohaddadoficial

 

Haddad, no âmbito da saúde pública, afirmou que o Brasil “herdou uma crise sanitária pós-pandemia grave”. O candidato classifica como problemas centrais a falta de organização de filas de maneira otimizada e digital, além da carência de estruturas modernas em São Paulo. 

Como um de seus projetos, Haddad indica o “Farmácia Popular Móvel”, uma extensão do projeto “Farmácia Popular” implementado no governo Lula em 2004, que entregaria os medicamentos à domicílio. O objetivo da mobilidade do projeto seria auxiliar aqueles que não tem condições de se locomover para retirar os remédios e diminuir as filas nas Farmácias Populares.

Na educação, o ex-ministro criticou o desempenho da rede estadual de São Paulo e disse que deveria estar entre os 5 melhores. Segundo os dados divulgados pelo MEC do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em agosto, o Estado ocupa a 10ª posição nacional no ranking do Ensino Médio. 

O petista também criticou duramente a gestão das áreas sociais no estado de São Paulo, afirmando que "é um absurdo o que aconteceu com a qualidade da educação" e cobra a retomada de concursos públicos em vez da excessiva dependência de contratos temporários e de plataformas digitais. Para essas mudanças, sugere que elas acompanhem os professores: “Você não faz contra o professor uma reforma, você faz com o professor uma reforma”.

Ao abordar o avanço do mercado de apostas online, Fernando Haddad adotou uma postura incisiva e declarou: "Sou pessoalmente favorável à proibição das bets". Ele argumentou que a atividade prejudica o orçamento das famílias e compromete o consumo produtivo e afirmou que o setor "não contribui em nada para a economia". 

Por fim, sobre as questões climáticas, o candidato acredita no alto investimento em segurança hídrica, para consumo e para irrigação. “Embora os negacionistas digam que não tem evento extremo, mudança climática, ela está acontecendo”, declarou. Haddad cita também, como projeto, a preparação da segurança civil para eventos climáticos e investimento na previsibilidade de desastres naturais.