A última semana da campanha de Fernando Haddad (PT) antes do primeiro turno foi marcada pelo debate na TV Globo e por carreatas em periferias da cidade de São Paulo. O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda participaram do último encontro para discutir propostas na terça-feira (29).
Na quarta-feira (30), Haddad esteve no Grajaú, Campo Limpo e Jardim Ângela, bairros da zona sul da capital. Na quinta-feira (1), a campanha do candidato aconteceu na zona leste, na Cidade Tiradentes. No final do dia, ele participou de um comício na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista, e ainda concedeu uma entrevista para a rádio CBN Vale, de São José dos Campos e Vale do Paraíba.
Já o debate, desta vez organizado pelo grupo Globo, e a última oportunidade de discutir as propostas com o adversário do Republicanos, durou cerca de duas horas e teve mediação de Alan Severiano. Segurança pública foi o tema de maior destaque, com discussões sobre o aumento do feminicídio e a atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Também entraram em pauta a privatização da Sabesp e as concessões no transporte público.
Haddad abriu o debate pela segurança. Ele afirmou que, segundo notícias recentes, o Comando Vermelho tem um núcleo de inteligência em Praia Grande e que o PCC tem envolvimento em Piracicaba, e questionou a efetividade do programa de combate ao crime organizado do governo estadual.
O ex-ministro também falou do "recorde de feminicídio". Ele citou a violência contra a população LGBT e os roubos de celulares, e questionou Tarcísio sobre a relação com filhos de Milton Leite, ex-vereador preso por ligação com o PCC.
Tarcísio respondeu com os indicadores criminais em queda e o aumento de 35% no efetivo da segurança. Segundo o governador, a infiltração do crime é um problema nacional, argumento que Haddad rebateu ao dizer que o governo não detalha medidas para conter o avanço das facções.
Nos blocos finais, Haddad voltou a falar das concessões. Ele criticou o encarecimento das tarifas para quem precisa de várias conduções por dia, disse que o governador entregou a Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) a quem "não entende de trem" e apontou falhas na Sabesp, como a alta nas contas de água após a privatização. O petista também propôs um Bilhete Único metropolitano integrado.
O debate também foi nacionalizado. Haddad atribuiu ao governo Bolsonaro a fila de procedimentos represados no Sistema Único de Saúde (SUS) herdada pelo governo Lula. Quando Tarcísio perguntou se ele aconselha o presidente a fazer um ajuste fiscal, o ex-ministro da Fazenda respondeu que assumiu a pasta com um déficit herdado da gestão anterior, a de Jair Bolsonaro.
Nas considerações finais, os dois falaram de Flávio Bolsonaro. O petista dedicou boa parte de seu tempo final a atacar Flávio, dizendo que ele "é uma ameaça para o país". Em outro momento, avisou que, se o senador for eleito, "vai travar tudo". Haddad defendeu a continuidade da parceria entre o estado e o governo Lula e afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia dificultar a relação com São Paulo.
Últimos resultados da pesquisa Quaest
Também na terça-feira, a pesquisa Quaest divulgou as intenções mais recentes de votos para o governo de São Paulo. No primeiro turno, a pesquisa apontou Haddad com 24% das intenções de voto e Tarcísio com 44%. Em um eventual segundo turno, Tarcísio lidera com 49% enquanto Haddad aparece com 29%.