Grime é um estilo musical que surgiu na Inglaterra entre o final dos anos noventa e começo dos dois mil, mais especificamente nas periferias de Londres. O gênero surge com fortes influências do Reggae, Garage, Dub e do Rap, estilos esses que já estavam mais consolidados na época. Tem como um dos nomes principais o Dizzee Rascal, que é um dos responsáveis por furar a bolha, e atingir o Brasil. O Grime se diferencia dos demais principalmente pelas batidas aceleradas de 140 BPM (Batidas Por Minuto).
No Brasil suas primeiras aparições surgem com Jimmy Luv e MV Bill, com uma segunda leva vindo mais forte no final da década de dois mil e dez, com o surgimento do Brasil Grime Show, e em seguida o BRIME! Mas a pergunta agora é, como o Grime se torna a ponte entre as periferias de Londres e a as favelas de São Paulo?
Em entrevista com o Sucateiro, DJ e produtor musical ele conta mais sobre a relação, “Esse link surge da cultura de rua de Londres, que se relaciona muito com a cultura de rua de São Paulo O que mais se relaciona é o futebol e de ser um país com muitos imigrantes”, completa.
O futebol é uma das principais ligações das culturas, pois assim como no Brasil, os ingleses são apaixonados pelo esporte, e na música não é diferente. A moda por trás do mundo da bola também está sempre presente nesses contextos, com camisas de time sendo extremamente comum entre os cantores, produtores e consumidores da cultura de rua de ambos os países.
Observamos essa relação muito presente no projeto BRIME!, um álbum que aborda justamente essa questão, com o nome sendo a junção dos elementos “Br” vem de Brasil, e o “ime”, do Grime, e a capa do álbum sendo um momento icónico de quando o Corinthians vence o Chelsea na final do mundial de clubes. Reforçando ainda mais a ligação entre os dois países, além de várias menções ao esporte dentro das músicas.
Capa do álbum BRIME! (Deluxe)/Reprodução: Instagram @brime.br
Além disso, temos a inegável influência dos imigrantes. Os dois países têm raízes africanas, por conta do período da escravização, e que por serem pessoas hostilizadas pela sociedade, acabam criando suas próprias culturas resgatando elementos de suas origens. “Criaram uma parada lá que é o Grime que a gente pode fazer uma ponte com o Funk aqui, que é algo muito único, periférico e de rua, que tem nos dois lugares, e nasceram nesses lugares, tá ligado?” reforça, Sucateiro. “São gêneros que assim como Rap e o Reggae, eles são da mesma matriz, tá ligado? Só foram feitos em momentos diferentes com influências diferentes”, conclui.