A Gamescom Latam, maior evento de games da América Latina aconteceu em São Paulo dos dias 30 de Abril a 3 de Maio, e trouxe diversas novidades do mundo dos jogos eletrônicos. Entre elas, e assim como nos anos anteriores, uma área dedicada para desenvolvedores independentes exibirem seus trabalhos.
O evento contou com vários jogos, espalhados em diversos estandes pelo espaço do Distrito Anhembi, como o estande do projeto Sampa Games, iniciativa do governo que oferece aporte financeiro para esses jogadores.
A feira também conta com uma área dedicada onde os desenvolvedores montam suas mesas e expõem seu produto, conversando diretamente com os visitantes, explicando sobre seus projetos. Entre os diversos jogos apresentados, alguns destaques foram: “My Girlfriend is a VAMP”, jogo narrativo focado em empatia de autoria da “TinyTank Studios” e [AFANTASIA], jogo de exploração desenvolvido por Leon Stevans.
Para os desenvolvedores, a oportunidade de serem vistos nesses eventos é essencial para a divulgação de seus projetos. Segundo Leon, que trabalha sozinho no [AFANTASIA], em entrevista para a AGEMT: “esses eventos ajudam bastante a criar contatos relevantes, estar mais inserido na indústria, melhorar as relações de trabalho e aprimorar a visão artística e profissional.” no entanto, também é importante não depender unicamente deles.
Para Juliana Dutra e Matheus Lacerda, da TinyTank, o evento é uma vitrine, mas os melhores resultados dependem de como você vai aproveitar essa chance, Juliana afirma: “tudo depende de como você vai se posicionar. Você pode ter um espaço minúsculo encostado em um lugar mal sinalizado, mas conseguir captar jogadores através de um bom papo, uma imagem chamativa e criatividade. Ou pode ter um estande gigante, realizar uma ação de milhões em orçamento e desagradar o público por não conseguir se conectar com ele.”
Além disso, como afirma Matheus, entrar no evento não é tão simples, e exige um processo rigoroso, longo, concorrido e caro, e que muitas vezes sai completamente do bolso dos desenvolvedores, que muitas vezes já precisam investir uma quantia alta na produção do próprio jogo.
No entanto, apesar de ter certo foco em valorizar produções independentes, é importante manter o olhar também em feiras menores. Para Juliana, essas feiras costumam oferecer mais conexão com estúdios e pessoas que estejam no mesmo ponto que você, ela afirma: “O público de uma BGS ou da Gamescom dificilmente vai ao evento para jogar indie hoje em dia. Mas você pode acabar furando a bolha por estar lá.“. Os desenvolvedores percebem que a feira tem mudado um pouco seu caráter em relação às primeiras edições, em que a atenção dada para os jogos independentes era muito maior.
Leon reforça essa ideia: “Ainda acho que dá pra melhorar bastante a prioridade e relação do evento para com os jogos independentes. Certamente há alguns problemas que não foram resolvidos, como a redução de vagas para os programas, auxílio de custo pequeno e falta de visibilidade e divulgação dos jogos independentes, enquanto as grandes empresas ganham consideravelmente mais atenção.”
Oportunidades oferecidas por esses eventos são essenciais, e ajudam esses desenvolvedores a atingirem espaços e a mostrarem o potencial e valor de suas obras, principalmente em um cenário em que, como defende Juliana, o nacional não é visto com tanto valor, e além disso, é caro de se produzir.
No entanto, os desenvolvedores seguem dedicados e motivados em finalizar seus projetos. Ambos os jogos já estão disponíveis para lista de desejo em plataformas digitais, como a Steam, e têm perspectiva de lançamento para o final de 2026 e início de 2027. No caso do “My Girlfriend is a VAMP”, uma demo jogável já está disponível.