G20 no Rio: Chefes de Estado se reúnem em novembro

Cúpula de Chefes de Estado do G20 está marcada para acontecer nos dias 18 e 19, no Rio de Janeiro
por
Rafaela Eid
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24/10/2024 - 12h

Nos dias 18 e 19 de novembro, o Rio de Janeiro sediará a Cúpula de Chefes de Estado do G20, onde serão aprovados os acordos negociados ao longo do ano, com base nas prioridades estabelecidas pela presidência brasileira do fórum. 

Entre os principais temas estão o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, além das três dimensões do desenvolvimento sustentável (econômica, social e ambiental) e a reforma da governança global.

Durante o ano, mais de 100 reuniões foram realizadas, tanto virtualmente quanto presencialmente, com o objetivo de descentralizar as atividades do G20, esse processo culminará na Cúpula de Líderes. As atividades prévias foram organizadas em duas frentes: a Trilha de Sherpas e a Trilha de Finanças.

A Trilha de Sherpas é conduzida por emissários pessoais dos líderes do G20, que supervisionam negociações, discutem a agenda da cúpula e coordenam grande parte do trabalho. Nesta presidência brasileira, a Trilha conta com 15 Grupos de Trabalho e duas forças-tarefas: uma para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e outra para a Mobilização Global contra a Mudança do Clima. Ainda há uma iniciativa sobre bioeconomia.

A Trilha de Finanças, por sua vez, trata de questões macroeconômicas e é liderada pelos ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais dos países-membros. Essa trilha conta com sete Grupos de Trabalho e uma Força-Tarefa Conjunta de Finanças e Saúde.

Aliança Contra a Fome e a Pobreza

A Aliança Contra a Fome e a Pobreza, uma das principais forças-tarefas da Trilha de Sherpas, é uma prioridade para o Brasil e está prevista para ser lançada em novembro, paralelamente à Cúpula de Líderes do G20.

Aprovada em julho, durante um encontro de representantes do G20, a Aliança tem como objetivo apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e a pobreza, além de reduzir desigualdades. A iniciativa busca reverter o retrocesso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2, que visam, respectivamente, à erradicação da pobreza e à fome zero e à agricultura sustentável.

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Encontro de representantes do G20 que aprovou a Aliança Contra a Fome e a Pobreza, em 24 de julho deste ano, no Rio de Janeiro. Reprodução: Roberta Aline / MDS.

Estruturada em três pilares — nacional, financeiro e de conhecimento — a Aliança está aberta para a adesão de governos nacionais, organizações internacionais, bancos multilaterais de desenvolvimento, centros de conhecimento e fundações filantrópicas interessadas em apoiar a causa e assinar a Declaração de Compromisso. A participação está aberta não apenas para os membros do G20, mas também para outros países que desejem contribuir.

O Brasil, que voltou ao Mapa da Fome em 2022, com 33 milhões de pessoas afetadas, vê na Aliança uma oportunidade de garantir segurança alimentar e nutricional à sua população, com a meta de assegurar ao menos três refeições diárias a cada cidadão.

O que é o G20?

O G20, também conhecido como Grupo dos Vinte, é uma cooperação econômica internacional que busca debater temas para o fortalecimento da economia internacional e desenvolvimento socioeconômico global. Desde 1º de dezembro de 2023, o Brasil assumiu pela primeira vez a presidência do fórum, cargo que se estenderá até 30 de novembro deste ano. 

Os países integrantes do grupo são: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Africana e da União Europeia. Países e organizações internacionais convidadas pelo anfitrião também podem participar do G20.

O G20, engloba 2/3 da população mundial, responde por cerca de 85% do PIB mundial e 75% do comércio internacional. As decisões do grupo ajudam na construção de políticas públicas com impacto em todo o planeta.