O retorno dos carros às pistas no primeiro final de semana da Fórmula 1 foi marcado pela homenagem à estrategista-chefe da Red Bull Hannah Schmitz e à engenheira de corrida de Esteban Ocon (Haas) Laura Mueller. A curva 6 do circuito Albert Park em Melbourne foi renomeada curva Mueller/Schmitz no dia 05 de março. A iniciativa faz parte do projeto In Her Corner em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

Foto/Reprodução: Fórmula 1
A iniciativa In Her Corner nasce de uma parceria entre o GP da Austrália e a Engineers Australia com o objetivo de fomentar a representatividade feminina na área de STEM; acrônimo em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática; e inspirar a próxima geração de engenheiras no esporte. Quando perguntada sobre o projeto pelo GP da Austrália, Mueller disse: “ele significa que estamos finalmente aceitando que existem muitas mulheres trabalhando no automobilismo e que precisamos incentivá-las e criar um ambiente de equidade para acolhê-las”.
O papel das mulheres no automobilismo tem crescido nos últimos anos, seja dentro ou fora das pistas. Iniciativas como a F1 Academy, a primeira categoria de base exclusivamente feminina lançada em 2023 e a FIA Girls on Track, programa global encabeçado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para meninas de 12 à 18 anos na área de STEM tem ganhado mais visibilidade dentro do esporte.

Por mais que não existam restrições de sexo para atletas em qualquer categoria do automobilismo, ainda é raro ver mulheres atrás do volante. Nos 76 anos de história da Fórmula 1, apenas seis mulheres conduziram um carro durante um final de semana competitivo e só três delas chegaram a largar em uma corrida oficial. A pioneira foi a italiana Maria Teresa de Philips no GP da Bélgica em 1958. Nenhuma mulher jamais teve um contrato como piloto titular na história da categoria.
A última mulher a pilotar um carro de Fórmula 1 em um final de semana de corrida foi Susie Wolff, atual diretora da F1 Academy, no treino livre 1 do GP de Silverstone em 2014. Susie foi piloto de desenvolvimento da academia Williams nos anos de 2012 à 2015 e se aposentou das pistas em 2016. Desde então ela é uma das grandes vozes da luta pela visibilidade das mulheres no automobilismo.
Mas as mulheres não têm lutado sozinhas. Sebastian Vettel, quatro vezes campeão mundial de Fórmula 1, tem sido voz ativa na defesa do direito das mulheres dentro do automobilismo. Um de seus feitos contra o machismo no esporte foi o evento Race for Women em 2021, uma corrida de kart feminina realizada na Arábia Saudita, país onde as mulheres eram proibidas de dirigir até 2018. Durante a divulgação do evento, Vettel disse: “Quanto mais meninas participarem e menos estereótipos existirem de que meninas não podem correr, melhor”.
Porém, o acolhimento não deve ser cobrado apenas no âmbito profissional. Segundo pesquisas realizadas pela categoria, cerca de 40% dos novos fãs que começaram a acompanhar o esporte entre 2023 e 2025, são mulheres. O público feminino do GP de São Paulo dobrou entre os anos de 2019 e 2023, passando de 17% para 37,5% segundo o autódromo de Interlagos. Mesmo com essa onda feminina nos últimos anos, as mulheres ainda são extremamente desrespeitadas pelos fãs masculinos, tendo suas opiniões e torcidas invalidadas de forma constante, tanto online quanto presencialmente.
Por isso que ações como a mudança de nome da curva 6 do circuito de Albert Park são tão importantes em um esporte como a Fórmula 1. Elas reforçam que as mulheres têm espaço no esporte, seja como atletas, engenheiras ou apenas como torcedoras.