Ex-príncipe Andrew é preso no dia de seu aniversário

Após repercussão dos documentos do caso Epstein, irmão mais novo do Rei Charles III começou a ser investigado
por
Daniella Ramos
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26/02/2026 - 12h

 Na quarta-feira (19), o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso pela polícia britânica na propriedade real de Sandringham, no leste da Inglaterra. Acusado de má conduta em cargo público, foi solto para responder em liberdade, após 11 horas em detenção. 

“A prisão, ainda que bastante breve, traz a sensação de que a investigação está caminhando, embora ela não tenha sido focada exatamente nos casos de abusos sexuais. É aquela dinâmica de não pegar pelo crime principal, mas por um crime que está relacionado ao problema”, comenta a doutora em Ciência Política internacional pela USP, Cristina Pecequilo.

Os documentos que contribuíram para a investigação sobre Andrew foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após exporem os mais de 3 milhões de arquivos de Jeffrey Epstein. Nesses registros constam e-mails de Andrew e Epstein sobre relações de comércio no qual documentos confidenciais britânicos foram expostos ao magnata estadunidense. 

“A política britânica tem sido uma das mais afetadas pelo caso Epstein e é uma questão de interesse dos que estão e daqueles que querem voltar ao poder para queimar seus adversários", argumenta Cristina. Na segunda-feira (23), o ex-embaixador britânico, Peter Mandelson também foi preso por suspeita de má conduta em cargo público ao ser citado nos documentos de Jeffrey. 

Mountbatten-Windsor começou a se afastar de seu cargo público em 2019 pela sua relação exposta com Jeffrey Epstein, chefe de um esquema de exploração sexual de mulheres e jovens. Sua imagem voltou a repercutir de forma negativa em 2021, quando Virginia Giuffre abriu um processo em que alegava ter sido vítima de abuso sexual aos 17 anos de idade. O ex-príncipe sempre negou a acusação e fechou o processo com um acordo milionário com a vítima. 

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Andrew ajoelhado ao lado de uma mulher nos Arquivos de Epstein. Foto: Reprodução/Departamento de Justiça dos EUA. 
 

“É realmente uma pena que casos como o da Virgínia Giuffre fiquem ainda em segundo plano e que não consiga reabrir o caso, mas demonstra que a justiça pode vir por outros caminhos e que o Epstein se utilizava dessa rede para realizar arranjos políticos e outras agendas de espionagem”, explica cientista política. 

A última prisão envolvendo a família real britânica aconteceu há quase 400 anos, o que torna Andrew o primeiro membro sênior da família real a ser detido na história moderna. Em 2025, o Rei Charles já havia tirado todos os títulos de seu irmão. Em meio às investigações, está a possibilidade de suas filhas, Beatrice e Eugene, terem sido usadas para conseguir mais acesso ao Epstein.  

Diferente das investigações estadunidenses, a polícia britânica tem punido aqueles que são expostos, não pelos possíveis crimes sexuais em parceria com Epstein, mas sim pela divulgação de documentos sensíveis e confidenciais. “Dependendo do interesse que aquele país naquele momento tenha de punir ou perseguir algum político, senão ficará uma punição seletiva só para alguns”, completa Cristina sobre como a divulgação dos registros estão sendo recebidas mundialmente.

Até o momento, a única pessoa presa por contribuir para os crimes do falecido magnata norte-americano é Ghislaine Maxwell, antiga namorada, que ajudou a traficar quatro adolescentes.