Especial Eleições: As notícias de destaque nesta quarta-feira (26)

Resumo Especial sobre sobre combate à desinformação, Ministro Alexandre de Moraes nega pedido da campanha de Bolsonaro sobre inserções em rádios e papa Francisco pede que o povo brasileiro se livre do ódio, intolerância e violência
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
27/10/2022 - 12h

Quarta-feira, 26 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Resumo Especial Eleições: combate a fake news;

  • Moraes nega pedido da campanha de Bolsonaro sobre inserções em rádios;

  • Papa Francisco diz que pede à Nossa Senhora que livre o povo brasileiro “do ódio, da intolerância e da violência”.

 

Neste mês o Resumo AGEMT completou 1 ano no ar, sempre com muita informação, análise e os fatos importantes do Brasil e do mundo para você. Em comemoração ao nosso primeiro ano, estreamos hoje uma série de entrevistas para pensar o futuro do Brasil ao final da nona eleição para a presidência depois da redemocratização.

Para falar sobre os desafios no combate a fake news, convidamos Vilson Junior Santi, professor da Universidade Federal de Roraima, formado em ciência da comunicação.

 

Quais serão os desafios do próximo presidente no combate a fake news ?

Os desafios do próximo presidente em relação ao fenômeno da fake news devem passar necessariamente por uma palavra-chave que se chama “regulamentação”. Não há mais condições de sobrevivermos nesse ecossistema de mídia e comunicação contaminado do jeito que está e de uma forma  tão abrangente, tão contundente, por desinformação e fake news. (…) O desafio de qualquer um dos pretendentes ao próximo mandato enquanto presidente passa pela regulamentação do setor, pela regulamentação da circulação de informações, principalmente nas plataformas digitais de mídia digital que é praticamente inexistente ainda no contexto brasileiro

 

Como o senhor avalia a atuação das notícias falsas nesta eleição ? 

Nós temos percebido ao longo dos últimos tempos que a disseminação, a produção e disseminação intencional de notícias falsas, de desinformação. Tem sido parte constitutiva das estratégias eleitorais de algumas plataformas, de alguns partidos políticos e de alguns políticos. Essa é uma escolha consciente, feita por esses dirigentes, por esses representantes. Se optou já - isso não é um fenômeno novo - de incorporar a produção e disseminação de desinformação como parte da estratégia eleitoral. Nessas eleições no Brasil, de novo a gente vê se repetir essa estratégia, principalmente por uma das candidaturas: a do atual presidente, que a todo custo tenta se manter no mandato que foi construído a partir da mentira.

(...) A gente não pode negar que, inclusive nesse pleito, as notícias falsas têm produzido um efeito colateral e ajudado as pessoas a decidir o seu voto. Quando a gente decide qualquer coisa da nossa vida baseada em pressupostos mentirosos e equivocados, a gente corre um risco muito grande de fazer bobagem. 

(...) É óbvio que das candidaturas que estamos no segundo turno, existe uma mais próxima, intrinsecamente ligada a essa estratégia de produção, de falsos fatos  e de falsas narrativas e outra um pouco menos, talvez, mas também não inocente.

 

De que forma os jornalistas e a sociedade como um todo podem colaborar para uma diminuição desse tipo de conteúdo ? 

Eu tenho ponderado nos últimos tempos que não adianta ao jornalismo, e consequentemente a sociedade, se preocupar apenas em combater a desinformação, em checar a informação falsa.  (...)  Dá muito trabalho  e custa muito caro fazer checagem de informação e fazer combate à desinformação depois que a informação falsa está circulando. Então  a nossa estratégia e a convocação que eu faço para os jornalistas, para os cursos de jornalismo, para os profissionais da informação e para a sociedade, é a gente qualificar o processo primário de produção da informação jornalística. 

(...) Essa estratégia implica então na gente não tratar a doença - desinformação e fake news são a doença - e sim atuar na prevenção, ou seja, trabalhar na saúde do sistema ou para a saúde do sistema.  (...) A estratégia de ficar focado apenas no combate daquilo que já foi feito é uma estratégia falha, custosa e que não tem produzido um resultado tão transformador quanto a gente gostaria.

 

Carlos Moura/SCO/STF
Carlos Moura/SCO/STF

Sem base documental crível

Na noite desta quarta-feira (26), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, negou o pedido da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) para investigar relatos de irregularidades em inserções eleitorais por emissoras de rádios.

Segundo o magistrado, os dados apresentados pela campanha são inconsistentes e, na mesma decisão, afirma que ela esteja cometendo possível “crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito”, acionando assim o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para apurar. Além disso, enviou o caso para o Supremo Tribunal Federal, para compor investigação sobre atuação de uma milícia digital que fere a democracia.

Na segunda-feira (24), a campanha do presidente havia alegado que algumas inserções de sua propaganda haviam deixado de serem exibidas nas rádios. Em seguida, pediu investigação e que, para equivaler, propagandas do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não fossem exibidas.

"Não restam dúvidas de que os autores -- que deveriam ter realizado sua atribuição de fiscalizar as inserções de rádio e televisão de sua campanha -- apontaram uma suposta fraude eleitoral às vésperas do segundo turno do pleito sem base documental crível, ausente, portanto, qualquer indício mínimo de prova", escreveu Moraes.

 

Livres do ódio, intolerância e violência

Nesta quarta-feira (26), durante a tradicional audiência geral que acontece na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco mencionou o Brasil e afirmou que pede à Nossa Senhora Aparecida que cuide e proteja o povo brasileiro, o livrando “do ódio, da intolerância e da violência”.

“Peço a Nossa Senhora Aparecida que proteja e cuide do povo brasileiro, que o livre do ódio, da intolerância e da violência”, afirmou Francisco.

Apesar de não ter falado diretamente das eleições brasileiras, a mensagem foi vista como uma referência à crescente violência neste período. No último dia 12, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) protagonizaram cenas de agressão a jornalistas e fiéis, interromperam missa com gritos de apoio ao presidente e vaiaram o arcebispo da diocese, Dom Orlando Brandes, quando este falou sobre a necessidade do Brasil combater a fome. No dia anterior a isso, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia divulgado uma nota criticando o que chamou de "intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno".

 

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