Dias paulistanos

por
Olívia De Melo
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23/09/2026 - 12h

 

Mais um dia paulistano
O céu nublado, as cortinas fechadas
Já passaram três Terminal Pirituba
Até agora espero o Barra Funda.

Mais um dia paulistano
Bato a cabeça na janela
Observo os prédios, cemitérios, pessoas
Quando vejo, já chegou a minha hora.

Mais um dia paulistano
O café me mantém em pé
Apesar de que, não fico muito parado
Ando para todos os lados
Do Largo do Arouche até a Rua do Ouvidor.

Vejo muitos retratos
Desde a dona de casa indo para o trabalho
Até aquele, que de trabalho não se escuta há muito tempo
Esses são como os fantasmas de São Paulo
Você os vê, mas faz de conta que não existem.

Lá pelo meio-dia, tudo fica um pouco diferente
O sol que se escondia, agora é ardente
Em São Paulo não tem lugar para se proteger
Seja do sol, da chuva ou do mundo.

Mais um dia paulistano
A tarde chega e me encontro ainda mais cansado do que de manhã
A luz vai se esvaindo
Tal qual o meu ânimo
Talvez uma cerveja melhore.

Às vezes, quando é sexta-feira
Até beiro a me arriscar
Na noite paulistana
Desço na estação Consolação
Procurando o bar mais fuleiro para me abrigar.

O Baixo Augusta não tem esse nome por coincidência
Lá é tudo embaixo dos panos
As putas, as drogas, os roubos
Por isso não entro de cabeça, antes da meia-noite me apresso para minha residência.

E assim se vai mais um cotidiano dia paulistano
Rápido, vasto e cansado.