O filme de ficção científica “Devoradores de Estrelas”, dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, tem lotado as salas de cinema desde sua estreia em 20 de março. A produção, estrelada por Ryan Gosling, já arrecadou mais de 177 milhões de dólares.
A adaptação do best-seller de Andy Weir — escritor de “Perdido em Marte” —, acompanha Ryland Grace, um professor de ciências que acorda em uma espaçonave sem memória de quem é ou por que está ali. Aos poucos, ele recupera suas lembranças e descobre que tem uma missão crucial: salvar a humanidade ao impedir que uma substância misteriosa apague a luz do Sol — e, para isso, contará com a ajuda de uma improvável amizade alienígena, o Rocky.
O longa também ganhou notoriedade por apostar, em sua maioria, em efeitos práticos. Nenhuma das cenas contou com o uso de tela verde: os cenários foram construídos para conferir maior realismo. Até o personagem Rocky é uma combinação de marionete e animação, evidenciando o cuidado com a estética e a imersão.
Ficção e Ciência
O professor Dr. Rubens Machado, do departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), ajuda a compreender os fenômenos científicos por trás da obra fictícia.
Segundo ele, o filme utiliza elementos especulativos, ou seja, coisas que não existem no mundo real, mas parte da premissa de que, se existissem, suas consequências seriam calculadas de forma quantitativa e realista.
“Na narrativa dá para perceber uma emergência mundial em que governos tomam decisões baseadas na ciência para salvar vidas, ou seja, ficção”, ironiza.
Apesar dessas liberdades criativas, o astrônomo destaca três conceitos que se aproximam do conhecimento científico atual. Machado ressalta que o filme trata com rigor aspectos da física, como o fato de que a velocidade máxima possível no universo é a velocidade da luz, os efeitos da teoria da relatividade — em que o tempo não flui no mesmo ritmo para todos os observadores — e a possibilidade de simular a gravidade por meio da aceleração da nave ou de sua rotação.
Quanto ao brilho do Sol, o professor tranquiliza: “O Sol está em uma fase extremamente estável da sua vida, que dura cerca de 10 bilhões de anos”. Ou seja, não há evidências científicas da existência de “partículas” capazes de reduzir a luminosidade de uma estrela, como é proposto no filme.
De acordo com Machado, o principal desafio atual para viagens interestelares são as distâncias. Para alcançar a estrela mais próxima fora do Sistema Solar, a Proxima Centauri, “a viagem levaria algo em torno de 80 mil anos”, alega.
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