Derrite lidera em pesquisa da Quaest

O candidato ao Senado do Progressistas participou de debate da Folha e discutiu segurança pública e feminicídio
por
Catarina Lafetá
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27/09/2026 - 12h

Na quarta-feira (23), a Quaest divulgou uma pesquisa que mostra que o candidato ao Senado de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), tem 16% das intenções de votos totais,  um aumento de 2% desde os resultados da pesquisa feita em 8 de setembro. Considerando apenas a primeira escolha de Senador, o candidato registrou 23%, seguido por Marina Silva (Rede), com 16%.

Dois dias antes, Derrite participou de um debate promovido pela Folha de São Paulo e pelo UOL, aberto para perguntas de jornalistas, com os candidatos que lideram as pesquisas Datafolha: Marina Silva, Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo). 

Ao ser questionado sobre a capacidade da inteligência da polícia de asfixiar financeiramente o mercado clandestino de furto de celulares, afirmou que, apesar da quedados índices,  em São Paulo  o estado registrou o nível mais baixo deste crime no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). “A raiz do problema tá na impunidade” e, por isso, seria preciso que o sistema de justiça criminal passasse por uma reforma. 

Na sequência, Tebet rebateu a fala de Derrite com críticas à sua gestão como Secretário da Segurança Pública e ao PL Antifacção, do qual foi relator, por não abranger criminosos “de colarinho branco”, pessoas de posição socioeconômica favorável que cometem crimes não violentos de cunho financeiro. 

A candidata do PSB também mencionou a transferência de Derrite da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) em razões de investigações sobre mortes em operações e de  um histórico de alta letalidade, em 2015. O motivo da transferência foi revelado por oficiais da Polícia Militar para a Folha de São Paulo, em matéria de 2023, e pelo próprio Derrite: “A real? Porque eu matei muito ladrão”, confessou à Folha.

Já a jornalista da Folha, Juliana Arreguy, questionou o desconhecimento de Derrite sobre as acusações contra José Augusto Coutinho, que teria vazado informações privilegiadas sobre operações ligadas ao PCC, antes de nomeá-lo comandante da Polícia Militar. Derrite reforçou que não sabia do fato, que ocorreu quando era deputado federal e veio à tona depois que saiu da Secretaria. “Defendo que a investigação seja realizada de forma imparcial e transparente”, reiterou o candidato. O portal Metrópoles havia noticiado o suposto envolvimento de Coutinho com o PCC, cinco meses antes da nomeação.

Em outro momento, ao abordar o tema do feminicídio, Derrite afirmou ter ampliado as redes de proteção, com a criação da Rede Lilás, uma rede de atendimento a mulheres e meninas em situação de violência. O candidato também alegou ter aumentado o número de Delegacias de Defesa da Mulher com funcionamento de 24 horas e ter implementado a política de uso de tornozeleira eletrônica para monitorar agressores de mulheres. Em paralelo à essas aplicações, a capital paulista registrou uma queda de 17% nos casos de feminicídio, enquanto o interior registrou um aumento de 22% em 2026, segundo dados da SSP.

Apesar das iniciativas, os índices de feminicídio continuam alarmantes, com o nível mais alto atingido no primeiro semestre deste ano desde o início da série histórica em 2018. “Infelizmente aqui em São Paulo, esse discurso que o Derrite acaba de fazer, a gente não encontra na vida real”, argumentou Marina.

Guilherme Derrite durante debate promovido pela Folha de São Paulo e pelo UOL dia 21. Foto: Instagram/@guilhermederrite
Guilherme Derrite durante debate promovido pela Folha de São Paulo e pelo UOL dia 21. Foto: Instagram/@guilhermederrite

Derrite também abriu uma série de entrevistas para a TV TEM, que foram ao ar entre os dias 21 e 24, com os candidatos mais bem colocados na pesquisa da Quaest. O deputado defendeu a revisão do pacto federativo entre União, estados e municípios, alegando que a contribuição do estado de São Paulo excede o retorno de recursos do governo federal. “O que um Senador da República por São Paulo tem por obrigação fazer é que os recursos pagos pelo pagador de impostos aqui do estado retornem na mesma proporcionalidade”, reforçou o candidato.

Além disso, afirmou que a redução da maioridade penal para 16 anos será um tema prioritário em seu mandato, caso eleito. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não permite que um infrator adolescente permaneça preso por mais de 3 anos, vedação repetidamente criticada pelo deputado, que afirmou que essa sentença é curta e inadequada para crimes como estupro, assassinato e latrocínio. 

Já em relação à violência contra a mulher, declarou que é preciso investir em recursos que garantam a monitoração dos agressores com tornozeleiras eletrônicas “por mais custoso que seja”.

Nesta terça-feira (22), em entrevista ao Jornal Regional, Derrite reforçou a importância de mudanças legislativas para a melhoria da segurança pública, que afirmou ser um dos maiores incentivos para sua candidatura. Também reiterou propostas de endurecimento das leis, redução da maioridade penal, fim da audiência de custódia – na qual o preso é apresentado diante de um juiz em um período de até 24 horas após a prisão – e da progressão do cumprimento de pena em regimes abertos e semiabertos.