Derrite direciona ataques à esquerda

Em debate, o candidato do PP-SP focou suas críticas a Tebet e Marina Silva
por
Catarina Lafetá
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18/09/2026 - 12h

Nesta quarta-feira (9), os candidatos ao Senado do Estado de São Paulo Guilherme Derrite (PP), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) participaram de um debate na Band. Em entrevista para a emissora antes do início do evento, Derrite reforçou a importância da reeleição do Governador Tarcísio de Freitas e a pauta de segurança pública como frente da sua campanha.

No primeiro bloco, o candidato respondeu a Simone Tebet, que afirmou que sua gestão, de 2023 a 2025, não proporcionou recursos suficientes para o combate à violência contra a mulher. Derrite rebateu declarando que aumentou 179% das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e que abriu novas, com funcionamento de 24 horas, em cada sede das macrorregiões, como São José dos Campos e Campinas. Segundo dados de segurança pública, o número de Medidas Protetivas de Urgência aumentou de 57 mil em 2022 para mais de 96 mil em 2025 e apenas cerca de 12% das DDMs têm atendimento de 24 horas.

Em segmento com Ricardo Salles, ambos os candidatos focaram em ataques direcionados à esquerda, ao PT, ao governo Lula e às candidatas Simone Tebet e Marina Silva, ambas chamadas de “candidatas do Lula”. O deputado referenciou uma expansão do crime organizado durante os governos do PT e Salles declarou “esquerda não gosta de polícia”. 

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram uma queda contínua nos índices de mortes violentas intencionais desde 2022, com a menor taxa em 2025, desde a sua criação em 2012. Porém, o próprio FBSP reconhece que, enquanto os índices gerais de violência recuam, o lar torna-se mais perigoso para mulheres e crianças.  

Guilherme Derrite em evento da rota SP
Guilherme Derrite em evento da rota de SP. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

No segundo bloco, a jornalista da Band, Thalyta Almeida perguntou à Derrite qual seria o projeto que ele apresentaria ao Senado caso o período de transição da reforma tributária aprovada, em que empresas lidariam com diferentes regulações, aumentasse os custos de burocracias. 

O deputado afirmou que os interesses do estado de São Paulo estão em primeiro lugar, portanto, o objetivo da reforma deve ser uma redução de impostos. Derrite criticou o governo Lula por uma taxa de juros, juro real e créditos altos e defendeu uma revisão da reforma no próximo governo. Além disso, o candidato disse que a contribuição de São Paulo é muito maior que seu retorno. 

Cerca de 100 especialistas, acadêmicos e empresários assinaram uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência, disponível no Portal da Reforma Tributária, em defesa da reforma tributária de consumo decretada em 2023. “Nesse contexto, propostas que defendam sua revogação ou suspensão são vistas com grande preocupação, pois geram insegurança e comprometem os benefícios esperados da reforma”, argumentaram.

Derrite foi comentador da pergunta do jornalista Vitor Brown para o candidato Geraldo Rufino em relação à flexibilização do processo de licenciamento ambiental. O deputado declarou ser à favor desse processo por favorecer o crescimento do agronegócio paulista. O órgão responsável por esse licenciamento é a Cetesb, que atua na análise técnica de empreendimento, concessão de licenças, fiscalização e monitoramento das atividades com objetivo de preservar o meio ambiente. Segundo o artigo 9º da Lei 15.190/2025 relata que o cultivo de espécies agrícolas, pecuária extensiva e semi-intensiva, intensiva de pequeno porte e pesquisas agropecuárias sem risco biológico não são sujeitas ao licenciamento.

O candidato do PP negou direcionar suas críticas à Simone Tebet e Marina Silva por serem mulheres. A candidata da Rede rebateu: “Essa afirmação é incongruência sua, porque eu nunca vi você atacando o Governador Tarcísio por ter mudado seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para São Paulo”, referenciando os comentários feitos sobre as candidatas não serem paulistas ao longo do debate. Derrite também criticou Marina por ter votado contra a redução da maioridade penal.

André do Prado chamou Derrite ao púlpito e perguntou-o sobre a importância da eleição de dois senadores de direita, afirmando que ambos fazem parte do “time do Tarcísio, do time do Flávio Bolsonaro”. O deputado reforçou que conhece e serve o estado e afirmou: “nós aqui em São Paulo tivemos excelentes resultados em todas as áreas” sob a gestão de Tarcísio. 

No feriado da Independência, no dia 7, Derrite participou de uma manifestação na Avenida Paulista junto de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outros aliados políticos, na qual  declarou uma “guerra contra o crime organizado” a partir de 2027 e reforçou supostos abusos de poder no poder judiciário. “O Senado Federal é peça fundamental para o resgate da nossa democracia. Ninguém aguenta mais os abusos do judiciário”, disse o candidato.

Também falou, em entrevista para Metrópoles, que “precisa libertar o Brasil das garras corruptas do PT e da esquerda”. Derrite defendeu novamente o impeachment de ministros do STF e criticou Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado, por não lidar com esse problema. Segundo o candidato, é preciso de um novo presidente que tenha “estatura moral e coragem”. Atualmente, o STF foi alvo de 109 pedidos de impeachment.