Em 11 de março de 2026 foi anunciada a saída da seleção do Irã da Copa do Mundo, sediada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, pelo ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali. Apesar da decisão, não é a primeira vez em que o evento é realizado em meio a conflitos globais.
Dois anos antes da Alemanha de Adolf Hitler, a Itália sob Benito Mussolini já empregava o esporte como ferramenta de propaganda política. Em 1934, o setor político teve um impacto direto no futebol, quando jogadores italianos fizeram a saudação fascista antes da partida final contra a Tchecoslováquia que resultou em vitória aos italianos. A disputa internacional de 1938 ocorreu na França, um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial. A seleção alemã entrou em campo usando a suástica como emblema da seleção e contou com jogadores da Áustria, que havia sido recentemente anexada pela Alemanha.
As Copas do mundo da FIFA foram canceladas em 1942 e 1946 devido à Segunda Guerra Mundial, visto que o conflito global impossibilitou a realização de torneios e a participação segura das seleções. Entre 1938 e 1950 foi marcado um hiato de 12 anos e a volta do evento aconteceu no Brasil em 50.
As próximas edições do torneio mundial foram realizadas em países considerados neutros perante a guerra. Segundo a jornalista e mestra em Museologia, Renata Beltrão, comenta que o cenário brasileiro foi marcado pela presença militar estratégica e afirma: “Aqui no Brasil, você teve os Estados Unidos montando bases militares em toda a costa do Nordeste. Recife e Natal tiveram bases militares dos Estados Unidos. Teve, inclusive, ataque de submarino na costa do Brasil”, demonstrando como o país esteve diretamente envolvido no cenário do conflito, mas também que estava longe do epicentro de destruição europeia.
Após 1950, a realização da competição nos anos seguintes aconteceu na Suíça em 1954, na Suécia em 1958 e em 1974 na Alemanha Ocidental, que sedia pela primeira vez, apenas dois anos após ter organizado a Olimpíada de 72 — um evento tanto trágico quanto tecnologicamente impecável.
Os Jogos de 1972 ficaram marcados pelo Massacre de Munique, com a invasão do grupo palestino Setembro Negro onde houve uma tentativa de atentado terrorista resultando na morte de membros da delegação de Israel. Por outro lado, houve a introdução de uma arquitetura revolucionária e o uso de computadores em tempo real para gerar resultados e dados dos atletas de diferentes modalidades.
As Copas frequentemente espelham as tensões políticas mundiais. A edição de 1978, realizada durante a Ditadura Militar Argentina, e a de 2018, realizada durante o processo de anexação da Crimeia, que gerou fortes protestos internacionais, representam exemplos disso.