Localizado no Estádio do Pacaembu, o Museu do Futebol foi inaugurado na capital paulista em setembro de 2008. A experiência é interativa e está repleta de curiosidades, incluindo um extenso acervo histórico e atrações sobre ídolos, como Pelé e Marta. Em 2024, passou por reformas para atender questões contemporâneas, como a naturalização da participação feminina no esporte.
Suas exposições narram para além do mundo esportivo. Algumas são baseadas nos trabalhos da imprensa: manchetes estão por toda parte e as fotografias contam histórias. A popularização dessa prática esportiva se desenvolve no Brasil especialmente pela influência do rádio. Por volta de 1920, os jornais passaram a investir na veiculação das notícias e incentivaram a promoção dos jogos ao perceberem a lucratividade, criando uma dinâmica econômica que passou a se sustentar de maneira circular.
Durante a década de 1940, houve a proibição das mulheres no futebol. Nesse período, existiam impressos, como o “Jornal dos Esportes”, que apoiavam e defendiam a participação feminina e a cobriam positivamente. Em contrapartida, jornais mais conservadores, como o “A Batalha”, se posicionavam de forma contrária e evitavam noticiar sobre as jogadoras.
Segundo Renata Beltrão, guia do Museu do Futebol, “a imprensa não é uma coisa única, cada veículo defende seus pontos de vista.” Para ela o futebol feminino, por muito tempo, foi retratado como algo exótico. “As perguntas nunca fogem do padrão. Querem saber quanto calçam, como se maquiam e se querem casar”, afirma.
A partir da liberação dos jogos femininos, na década de 1980, a primeira seleção feminina foi formada para o Mundial experimental da China em 1988. A cobertura midiática era praticamente inexistente. Uma única repórter, Claudia Jacobs, acompanhou a equipe brasileira, registrando sozinha os acontecimentos. As imagens que existem desse momento são de autoria da própria jornalista e das jogadoras.
Renata conta que houve um período considerável na linha do tempo do Brasil no qual a imprensa silenciou. De acordo com ela, não tratar os arquivos feitos caseiramente e de forma amadora como fontes históricas leva a perda identidária da nação. “Isso é muito importante. Saber de que ponto de vista você conta essa história, que memórias você valoriza, o que você considera como um registro digno de ser guardado, preservado e mostrado,” relata Beltrão.
Após a reforma, algumas salas passaram a enfatizar a ideia da nação brasileira a partir das coberturas jornalísticas e pela fotojornalismo. O museu trata em paralelo os acontecimentos do futebol e os do Brasil, mostrando como o esporte influencia o desenvolvimento da identidade social.
“O que queremos mostrar é o que é o Brasil e como o futebol vem junto, a forma como caminham lado a lado”, a guia finaliza.