Neste sábado (28) foram relatadas pela mídia iraniana explosões na capital Teerã. O ataque foi coordenado pelos governos israelense e estadunidense. Foram mortos nos bombardeios: Ali Khamenei, líder supremo iraniano, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour. Segundo um balanço estatal feito pela mídia estatal iraniana nesta terça-feira (3), o número de civis mortos já ultrapassa os 700.

O presidente estadunidense Donald Trump, em vídeo publicado na rede social Truth Social, confirmou os ataques e disse que tem como principal objetivo proteger o povo americano e garantir que o Irã não produzirá armamentos nucleares. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou em comunicado que o Irã não deve ter permissão para ter armas nucleares e exaltou a liberdade do povo iraniano. Ao mesmo tempo, o ministro da defesa de Israel, Israel Katz, classificou o ataque como preventivo, em busca de eliminar as ameaças ao estado de Israel.

Os ataques ocorreram em meio a um impasse na negociação sobre o programa nuclear iraniano, entre o governo local e o estadunidense. Os EUA exigiam uma redução drástica no enriquecimento do Urânio, enquanto o Irã se recusa a parar. Uma reunião entre as duas partes para tratar do assunto estava marcada para o dia 2 de março.
A questão nuclear no Irã
Em 2015, foi firmado um acordo entre o Irã, os EUA e outras potências mundiais que ficou conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). O acordo limitava o programa nuclear iraniano em troca da flexibilização de sanções econômicas direcionadas ao país. Na época, o então presidente estadunidense Barack Obama, chegou a afirmar que todos os caminhos em direção a uma arma nuclear iraniana estavam cortados.
O acordo firmado nunca foi visto com bons olhos por parte do governo israelense, que já era aliado dos EUA na época e chegou a nomeá-lo como uma rendição histórica dos estadunidenses ao Irã. De acordo com o governo de Israel, o Irã utilizaria parte dos recursos liberados pela flexibilização das sanções para financiar grupos armados atuantes no Oriente Médio que se opõem a Israel, como o Hamas.
Porém, em 2018, durante seu primeiro mandato, o governo Trump se retirou do JCPOA. Em resposta, o governo iraniano restringiu os limites do acordo ao voltar a enriquecer Urânio além do permitido e diminuir a cooperação com inspetores internacionais.
Já em outubro de 2023, o governo israelense chegou a ensaiar um ataque às instalações nucleares do Irã, mas acabou sendo impedido pelo então presidente estadunidense Joe Biden. Com a reeleição de Donald Trump em 2024, a tensão entre os países se intensificou.
A agência da ONU que regula a proliferação de energia atômica no mundo declarou formalmente em junho de 2025 que o Irã rompeu suas obrigações de não proliferação nuclear. Um dia após a declaração da agência, ataques estadunidenses destruíram os complexos nucleares de Danz, Isfahan e Fordham. Os ataques ocorreram em meio a guerra de doze dias entre Irã e Israel.
Tensão nas negociações
Mesmo com os ataques aos complexos nucleares, o programa nuclear iraniano continuou em funcionamento, mas é incerta a sua capacidade atual. Antes dos eventos do final de semana, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou que o Irã conseguiu acumular centenas de quilos de urânio enriquecido a nível de 60%, valor próximo dos 90% necessários para criar uma arma nuclear. Além disso, um relatório reservado aos 35 Estados-membros da agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu Urânio enriquecido no subterrâneo do complexo de Isfahan.

Com o cenário atual, o governo estadunidense tentou negociações com o governo iraniano, com a intenção de diminuir a força nuclear do país. Na última quinta-feira (25), foi realizada uma reunião vista pelo governo estadunidense como a última saída diplomática.
Representantes dos governos estadunidense e iraniano se reuniram em Genebra para uma possível negociação. Após 6 horas, a principal exigência estadunidense de desmantelar por completo o programa nuclear iraniano, não obteve nenhum avanço.
Ao mesmo tempo que as negociações fracassavam, o governo estadunidense intensificava o poderio bélico em volta do Irã. Na quarta-feira (24), Washington enviou à região uma dúzia de caças F-22, que se juntaram a dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate. Com isso, foi reunida a maior força militar estadunidense no Oriente Médio desde a invasão no Iraque em 2003.
Israel fortalecido

Enquanto isso, Netanyahu vê o ataque ao Irã como uma estratégia de força territorial. O próprio primeiro-ministro israelense considera o Irã como principal rival, já que o país é o maior financiador de grupos armados contra Israel, além de ser a grande força diplomática contra o país no Oriente Médio. Dessa forma, enfraquecer o governo iraniano significa também fortalecer Israel perante seus inimigos regionais. O governo israelense já começou a realizar investidas militares na fronteira do Líbano nesta terça-feira (3), de acordo com autoridades libanesas.