A vida noturna de São Paulo é conhecida por sua variedade, abrangendo desde baladas sofisticadas até bares de rock, com opções para todos os gostos e estilos. A Rua Augusta é considerada um dos polos mais ecléticos da cidade, oferece bares, casas noturnas, botecos e locais para música ao vivo. São tantas opções que muitas vezes os paulistas não sabem nem aonde ir.
Para os rockeiros, um bairro interessante é Pinheiros, existem desde bares grandes com bandas e suas performances, vestimentas que imitam artistas até pubs menores que também contam com shows de bandas covers.
As bandas são o que “anima o rolê” e fazem você e seu grupo de amigos perceberem se fizeram a escolha certa do lugar. Quanto mais música, melhor.
Para saber mais sobre o universo das bandas cover, André, o vocalista da banda Outshine, conta um pouco sobre algumas histórias que ele e seus parceiros de palco já passaram. “Somos quatro amigos: André Rima (vocalista), Alex Resende (guitarrista), Fábio Lourenço (contrabaixo) e Cristopher Ribeiro (baterista). Estamos juntos desde 2016. Na adolescência, cada um tinha sua banda, a gente se reuniu para essa banda no final de 2016 com o final da banda de cada um e coincidiu de cada integrante tocar um instrumento e formar a Outshine.”
André diz que a banda procura se manter atualizada nas músicas atuais para montar os repertórios dos shows, mas também não os seguem à risca, vão observando o que o público vai gostando mais. “A gente fica ligado na atualidade, o que tem agradado ao pessoal e também na temperatura do show. Se um ritmo vai agradando, a gente vai puxando para aquele lado. Tudo depende muito do público que está naquele dia, no show, a idade, se gostam mais de um rock pesado, mais leve, pop, a gente vai soltando as músicas e vai vendo a receptividade e às vezes, na hora mesmo, a gente muda a ordem das músicas para se adequar ao que está rolando naquele dia”.
O vocalista da Outshine diz que não tem idade quando o assunto é música boa. “Linkin Park e System of a Down, essas duas bandas a gente pode estar tocando em uma festa de debutante ou de aposentados que vão querer escutar. É impressionante a força que essas duas bandas têm”.
Apesar de algumas vezes o público ter a impressão de algumas bandas cover quererem seguir à risca a imagem dos cantores imitados, André diz que sua banda é diferente, ainda mais por cantarem diversas músicas de várias bandas. “Sempre adicionamos coisas nossas, timbres nossos, a minha voz também é diferente, nunca vai ser igual a do cantor, então sempre faço alguma graça”.

André relembra que o principal para manter a banda é sentimento pela música. “Se não tiver diversão a gente nem toca. No caso dessa banda, os integrantes não vivem de música, a gente já viveu uma época, mas no período da pandemia não deu para tocar, então cada um seguiu uma carreira. Depois da pandemia a gente continuou tocando por diversão e amor à música”.
Pesquisas mostram a desvalorização e os estigmas sociais da profissão. Uma pesquisa realizada em 2021 pela Record Union apontou que 73% dos músicos independentes relataram problemas de saúde mental devido ao estresse financeiro e à desvalorização da carreira. Outra pesquisa feita em 2020 da Casa de Música do Porto revelou que 42% das pessoas acreditam que a música não é uma “profissão séria”.
Questionado por sofrer preconceito como músico, André diz não ser discriminado em seu meio. “Existe preconceito fora do lugar do show. Músico geralmente é chamado de vagabundo se não ganha muito dinheiro ou não faz muito sucesso, não é um bom músico. A gente não pensa assim, existem faixas e faixas de sucesso que você pode ter na música e formas de se ganhar dinheiro também com música que dá para viver em qualquer lugar do mundo. Desde que você se dedique para música, o mesmo tempo que você se dedica para um trabalho qualquer, você ganha um bom dinheiro”.
O vocalista da banda diz que a Outshine não pretende lançar músicas próprias nos repertórios de seus shows ou seguir outros caminhos musicais. “Cada um de nós tem seus trabalhos próprios. Já tive meus CDs gravados, mas nessa banda é exclusivamente comercial”.
Por fim, André relembra uma história engraçada que a banda viveu em um show. “Foi uma situação muito embaraçosa que aconteceu em Campos do Jordão, num bar, que uma gringa, da Holanda subiu no palco e abaixou as calças e virou para o público enquanto a gente estava tocando. Foi o momento mais engraçado da banda”.
Cumprindo o propósito de alegrar a vida do público e mantendo o seu, que é o amor pela música, bandas cover continuam dando um show por São Paulo e colecionando histórias para contar.