A alta no valor do combustível, embalagens e ingredientes, especialmente os importados, que dependem do câmbio e do mercado internacional, afetam diretamente os picolés premium vendidos na cidade de São Paulo. Atualmente, os ajustes frequentes no setor alimentício forçam a adaptação e diversificação. A marca LosLos, que a princípio surgiu como paletas mexicanas, hoje se identifica como indústria de sorvetes. Nasceu em 2014, começando a operar fábricas em 2018. A ideia do fundador, José Vicente Mazzarella, em entrevista à AGEMT, surgiu a partir de uma oportunidade de negócio durante o próprio casamento, em 2005, quando serviu 600 picolés para mais de 300 convidados, que se esgotaram em meia hora. Em 2018, com apenas cinco meses recém-inaugurada, 527 pontos de venda foram abertos.
Nos dias de hoje, são vendidas cerca de 7 mil caixas de sorvetes diariamente, sendo 62% a 65% voltados a matérias-primas vindas do exterior. O empresário conta que os ajustes de valores podem chegar de 6% a 8% anualmente com a crise no Oriente Médio. Os custos altos atingem desde o transporte refrigerado de sorvetes até a gasolina, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), dados divulgados pelo IBGE, o grupo alimentação e bebidas, mostram um aumento de 1,34% em abril, de acordo com a reportagem da revista Veja. Para Vicente, todas as commodities são extremamente importantes. Ele afirma que, com as instabilidades do mercado global, é essencial acompanhar os preços, preparando-se constantemente para possíveis mudanças em estratégias. Leite argentino, pastas italianas, fibras e adoçantes alemães e frutas, por exemplo, são matérias-primas vindas do exterior, correspondendo a mais de 60% das compras internacionais da empresa. “O sorvete leva muita commodity: açúcar, papelão, plástico, madeira, leite e chocolate. A gente acompanha uma média de 6% a 8% de aumento ao ano”, diz o empresário.
São comprados, em média, lotes de 30 toneladas de leite em pó argentino, sendo hoje em dia o maior gasto da marca. Custando R$ 1,50 a mais por quilo, comparado ao nacional, chegando a aproximadamente R$ 45 mil por compra, a diferença pode chegar a ultrapassar de R$ 270 mil por ano. Em seguida, o pistache é o segundo maior gasto da empresa, com uma variação de 30% nas últimas semanas, devido à alta demanda internacional, principalmente vindo do Oriente Médio.
A gasolina elevada encareceu o transporte refrigerado e o diesel. Os custos de logística são de 4,5% a 5% do custo geral da empresa. As embalagens também têm base de petróleo, saindo de R$ 33 para R$ 46 o quilo, com uma alta de 39,4%. “Tudo que é derivado de petróleo explodiu de preço”, diz. Segundo ele, os repasses aos clientes são feitos gradativamente, mesmo com adaptações totais. A inflação, com números entre 6% e 8%, tem alta absorvida pela redução da margem de lucro, segundo Mazzarella.
Os investimentos da LosLos agora são principalmente voltados para a reformulação das receitas, retirando corantes petrolíferos e quaisquer elementos transgênicos, visando uma trajetória totalmente “clean label”. O desafio econômico agora é igualar os custos à qualidade do produto.