Arsenal encerra jejum de 22 anos e conquista a Premier League

Os Gunners confirmaram o título da temporada 2025/26 após o empate do Manchester City contra o Bournemouth, na última terça-feira (19)
por
Luciano Carvalho
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21/05/2026 - 12h

A última vez que o clube havia levantado a Premier League foi em 2003/04, na histórica campanha dos “Invencíveis”, equipe treinada por Arsène Wenger que conquistou o campeonato inglês sem perder uma única partida, feito inédito na era Premier League e considerado até hoje um dos maiores marcos da história do futebol inglês.

Desde então, o Arsenal viveu anos de instabilidade. O clube seguiu competitivo em alguns momentos, mas passou a conviver com eliminações dolorosas, temporadas fora da Champions League e derrotas marcantes, como a final da Europa League de 2019 contra o Chelsea. Enquanto isso, rivais cresceram no cenário europeu, incluindo o próprio Chelsea e o Tottenham, principal rival do norte de Londres.

A reconstrução começou em dezembro de 2019, com a chegada de Arteta. O treinador espanhol assumiu um elenco desequilibrado e um ambiente sem confiança, mas desde o início deixou clara a ideia de reconstruir o clube a longo prazo. Mesmo pressionada pelas críticas e pelos resultados irregulares nas primeiras temporadas, a diretoria manteve apoio ao comandante.

Enquanto boa parte do futebol inglês chamava o Arsenal de “Bottle Job”, expressão usada para definir equipes que desperdiçam vantagens importantes em disputas por títulos e que ficou popularmente associada ao termo “pipoqueiro” entre torcedores brasileiros, o clube seguiu apostando na continuidade do projeto.

O primeiro passo importante aconteceu ainda em 2020, com a conquista da FA Cup. O título não recolocou imediatamente os Gunners entre os favoritos da Europa, mas deu estabilidade ao trabalho da comissão técnica e permitiu que o clube começasse uma reformulação mais profunda no elenco.

Ao mesmo tempo, Arteta começava a construir a identidade da equipe. Um dos principais símbolos dessa transformação foi Bukayo Saka. Revelado em Hale End, academia de base do Arsenal, o inglês atuava originalmente como lateral esquerdo, mas foi transformado pelo treinador em ponta direita. A mudança acelerou a evolução do jogador, que rapidamente se consolidou como um dos principais nomes do futebol europeu.

A reformulação também passou pelo mercado. Em 2019, Gabriel Martinelli veio do Ituano após destaque no campeonato paulista. Gabriel Magalhães assumiu protagonismo defensivo, enquanto Martin Ødegaard encontrou no clube londrino o espaço para se transformar em capitão e referência técnica.

Mais tarde, jogadores como Gabriel Jesus, Kai Havertz e Declan Rice chegaram trazendo não apenas qualidade técnica, mas também experiência em grandes decisões e mentalidade vencedora.

Mesmo assim, o Arsenal precisou lidar com várias frustrações antes da conquista do título. Na temporada 2022/23, os Gunners lideraram grande parte da Premier League, mas perderam rendimento na reta final e viram o Manchester City assumir a liderança. No ano seguinte, o roteiro se repetiu. O time voltou a disputar o campeonato até as últimas rodadas, mas novamente terminou atrás da equipe comandada por Pep Guardiola.

As derrotas, porém, acabaram moldando o elenco. Com o passar das temporadas, Arteta modificou a estrutura da equipe. O Arsenal passou a depender menos de um futebol ofensivo constante e se tornou um time mais sólido defensivamente. A dupla formada por William Saliba e Gabriel Magalhães virou uma das mais consistentes da Europa, enquanto as bolas paradas lideradas por Nikolas Jover, passaram a ser uma das principais armas ofensivas da equipe.

Para a atual temporada, o clube aumentou ainda mais o investimento. Martín Zubimendi, Viktor Gyökeres, Eberechi Eze e Noni Madueke chegaram para reforçar um elenco que já era considerado um dos mais fortes da Inglaterra.

Apesar da confiança mantida durante os últimos anos, a temporada também aumentou a pressão sobre o treinador espanhol. Era agora ou nunca para Arteta.

O início da campanha mostrou um Arsenal diferente dos anos anteriores. O time talvez não encantasse como em temporadas passadas, mas se tornou mais maduro e competitivo. A equipe sofreu poucos gols, manteve regularidade durante grande parte da Premier League e suportou momentos de pressão que anteriormente abalavam o elenco.

Os números da campanha, porém, ajudam a explicar o sucesso do Arsenal na temporada. Em 37 jogos, os Gunners somaram 25 vitórias, sete empates e apenas cinco derrotas. Além disso, a equipe terminou a competição com a melhor defesa da Premier League, sofrendo apenas 26 gols.

No setor ofensivo, Viktor Gyökeres terminou como artilheiro do clube no campeonato, com 14 gols marcados, enquanto Martin Ødegaard e Leandro Trossard dividiram a liderança de assistências da equipe, ambos com seis.

Mesmo após derrotas importantes para o Manchester City e a perda da final da Carabao Cup, o elenco não perdeu estabilidade emocional na reta decisiva da temporada.

A confirmação do título veio sem o Arsenal entrar em campo.O empate do Manchester City diante do Bournemouth garantiu matematicamente a conquista para os Gunners e transformou os arredores do Emirates Stadium em uma grande comemoração. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram milhares de torcedores tomando as ruas do bairro londrino enquanto os jogadores acompanhavam a partida decisiva do vestiário. Confira!

Após o apito final, a festa atravessou a madrugada. 

Arsenal
Torcedores do Arsenal lotaram os arredores do Emirates Stadium após a confirmação do título da Premier League 2025/26. Foto: Reprodução/Instagram @arsenal

O título também consolida personagens importantes da reconstrução do clube. Gabriel Jesus deixou o Manchester City para participar do projeto liderado por Arteta. Gabriel Magalhães superou críticas em temporadas anteriores para se tornar um dos melhores zagueiros do futebol europeu. Martinelli saiu do futebol brasileiro para participar diretamente da retomada do Arsenal. Já Saka e Ødegaard assumiram o protagonismo técnico e simbólico da equipe nos últimos anos.

No dia 30 de maio, às 13h (horário de Brasília), o clube tenta transformar a temporada histórica em algo ainda maior. No Púskas Arena, em Budapeste, Hungria, os Gunners enfrentam o Paris Saint-Germain F.C. na final da UEFA Champions League em busca de um título inédito, algo que nem mesmo Wenger conseguiu conquistar durante sua histórica passagem pelo Arsenal.