Por Wanessa Celina
Na madrugada do dia 20 de outubro, uma grande instabilidade no Amazon Web Services (AWS), plataforma de computação em nuvem da Amazon, derrubou um número significativo de sites e aplicativos. Mais de 500 sistemas ficaram temporariamente fora do ar, entre os serviços atingidos estiveram os próprios produtos da Amazon, como a assistente virtual Alexa e o streaming Prime Video, o jogo Fortnite e Duolingo.
O problema se concentrou na região us‑east‑1 (Norte da Virgínia, EUA), principal centro de dados da AWS, e provocou interrupções em grandes redes sociais, plataformas de jogos e serviços financeiros. Foram registrados cerca de 6,5 milhões de alertas de falhas logo na manhã de segunda-feira.
O apagão da AWS reacende um histórico recente de falhas em grandes provedores de nuvem. Em junho de 2025, uma pane global no Google Cloud provocou queda de plataformas que dependem da gigante americana, afetando serviços do Spotify, Snapchat, Discord e outros por cerca de duas horas. Na ocasião, o Google solucionou o problema em poucas horas e prometeu divulgar uma análise posterior. A Microsoft Azure também passou por incidentes graves: em janeiro de 2023, uma falha de conectividade derrubou o Azure globalmente, suspendendo o funcionamento de serviços do Office 365 como Teams e Outlook por várias horas.
A AGEMT, para entender mais sobre como essa instabilidade foi causada, conversou com o Analista de Tecnologia de Informação, Bruno Azuma Balzano. A falha ocorrida foi em um servidor específico da Amazon, que, por ter um custo mais baixo, é o mais utilizado pelas empresas. Balzano explica que as falhas são raras, “esses serviços de nuvem têm vários data centers interligados, mas relativamente isolados, uma falha de uma, geralmente, não afeta a outra.”
Um data center bem construído tem uma diferença de tempo resposta do aplicativo pela localização imperceptível pelo usuário comum. Isso faz com que as empresas escolham, com mais facilidade, um serviço mais estável e com um custo menor, o que explica a grande dependência das grandes empresas, inclusive brasileiras, nessas áreas que foram afetadas pelo apagão.
Os data centers, explica o analista Bruno, têm um alto custo para manutenção e para ter um ambiente adequado para eles. “Se as empresas, especialmente startups, forem esperar ter esse tipo de infraestrutura antes de começar o negócio, vai invalidar o próprio negócio, porque ele é um custo muito alto logo no início, que você não sabe nem se a sua ideia de aplicativo, de negócio, é válida ou não”, explica.
Assim entra a vantagem de ter uma nuvem, pagando um aluguel para alguém que já mantém esse ambiente e tem um especialista para bancar, as empresas conseguem um ambiente robusto, a um preço baixo do que eles dedicariam em um próprio data center. Para empresas de varejo, cita Balzano, a nuvem tem extrema importância, porque durante os picos de acesso, como o Natal e Black Friday, é possível aumentar a capacidade de processamento nesses dias e depois reduzir.
Enquanto alguns especialistas olham para o apagão como uma falha na economia digital, Bruno observa de outra forma. Para ele, esse apagão pode ser visto como uma característica da economia definida como monopólio natural. ”Quando tem um serviço que é muito caro para um novo competidor entrar no mercado e, ao mesmo tempo, é muito barato para alguém que já está estabelecido ampliar um pouco a sua capacidade de conseguir mais clientes”, assim, entende Balzano, que o fornecimento de serviços na mão de um ou de poucos fornecedores, o que acontece com a nuvem, é o que resulta esse plano em várias dependências.
Um único ponto de falha ou uma decisão unilateral por parte desses gigantes da tecnologia pode desencadear consequências catastróficas, como evidenciado pelo "apagão". Mesmo assim, existem formas que cada empresa pode fazer para mitigar os efeitos, caso haja uma outra falha.
Bruno Balzano descreveu três estratégias que poderiam ser eficientes para as empresas: utilizar mais de uma região da própria nuvem, a chamada redundância, a replicação do aplicativo e dos dados em outra região. A segunda estratégia semelhante, dada pelo analista, é a contratação de mais de um provedor, tendo, assim, uma arquitetura de aplicação, “você coloca o mesmo sistema na Amazon e na Google, por exemplo, e aí se a Amazon tiver uma falha, você está seguro com a Google e vice-versa.”, demonstra Bruno. A terceira estratégia é a da empresa ter seu próprio data center, não abandonando a nuvem para os dias de altas demandas, como o Natal, assim, você garante um funcionamento mínimo com o seu data center, fazendo a arquitetura de aplicação.
Em algumas empresas, a terceira estratégia está sendo mais utilizada, nos últimos anos, assim que os negócios se consolidam, as empresas montam seus próprios data center e abandonam a dependência nas nuvens. Mas, é preciso ficar atento, ter um data center não é a única garantia: contratar uma boa consultoria de tecnologia e melhorar a robustez da infraestrutura os serviços, especialmente em empresas Astech, é fundamental para Bruno Balzano, “precisa ter um olhar mais atento para essas questões de infraestrutura de continuidade do serviço quando o objeto final deles dependem do serviço funcionando”.