AGEMT na Copa: França e Noruega estreiam com vitórias no Grupo I

Com brilho de Mbappé e Haaland equipes conquistam seus primeiros três pontos na competição; noruegueses levam vantagem no saldo de gols
por
Caio Moreira
Guilherme Periotto
João Bueno Barbosa
Pedro José Zolési
|
19/06/2026 - 12h

Na última terça-feira (16), as seleções do Grupo I entraram em campo pela primeira vez na Copa do Mundo de 2026. Com o brilho de Mbappé, a França confirmou seu favoritismo ao vencer a seleção de Senegal por 3 a 1. No outro confronto, em um jogo que começou equilibrado, Haaland decidiu em sua primeira Copa e garantiu a vitória da Noruega sobre o Iraque por 4 a 1. 

França 3x1 Senegal 

A seleção da França estreou com vitória na Copa do Mundo de 2026 ao derrotar Senegal por 3 a 1, no Estádio de Nova York/Nova Jersey. O resultado marcou a abertura do Grupo I e reforçou o favoritismo da equipe europeia na competição.

Apesar do favoritismo francês, foi o Senegal quem se aproximou de tirar o zero do placar nos primeiros 45 minutos. A estratégia senegalesa variou de acordo com o comportamento da França. Quando tinha a posse, a equipe buscava desenvolver as jogadas pelos corredores laterais, explorando cruzamentos para a área. Sem a bola, apostava na recuperação da posse no campo defensivo e na ligação em contra-ataques.

O primeiro tempo também foi marcado pelas dificuldades ofensivas da França, que finalizou apenas uma vez, em chute de Ousmane Dembélé, aos 19 minutos. Além disso, os jogadores franceses reclamaram constantemente da arbitragem do australiano Alireza Faghani, principalmente em lances de disputa física e em decisões contestadas dentro de campo. 

No aspecto defensivo, Senegal se posicionou em um 4-4-2 compacto, com linhas em bloco médio que reduziram os espaços para os meio-campistas adversários trabalharem e dificultaram os lançamentos em profundidade para Kylian Mbappé. Mesmo quando a França conseguiu encontrar brechas, a defesa africana parou as investidas. Com o passar do tempo, a pressão exercida pelos Bleus obrigou Senegal a recuar suas linhas, mas sem abrir mão da organização que sustentou a equipe durante toda a primeira etapa. 

Reencontro entre França e Senegal na Copa do Mundo 24 anos após primeiro confronto.
Reencontro entre França e Senegal na Copa do Mundo 24, anos após primeiro confronto. Foto: Reprodução/Fifa

 

A primeira jogada de perigo dos Leões de Teranga nasceu justamente da primeira aposta senegalesa: o contra-ataque. Após recuperar a bola de Mbappé no campo defensivo, o lateral Diouf encontrou Nicolas Jackson com um passe preciso. O atacante invadiu a área e acertou a trave. No rebote, a bola desviou em Mike Maignan antes de sair pela linha de fundo, lance que deu esperanças à torcida de Senegal. 

Já nos minutos finais da primeira etapa, os africanos aproveitaram a baixa intensidade do fim do primeiro tempo. Pela esquerda, Sadio Mané infiltrou até a linha de fundo e cruzou para a área. Livre de marcação, Ismaïla Sarr teve a chance de abrir o placar, mas desperdiçou a oportunidade na última jogada antes do apito final.  

Na volta do intervalo, a equipe comandada por Didier Deschamps apresentou uma postura mais agressiva e passou a pressionar Senegal com maior intensidade. Logo nos primeiros minutos da segunda etapa, Désiré Doué e Michael Olise criaram boas oportunidades e mostraram uma equipe mais inspirada ofensivamente.

O primeiro gol saiu aos 21 minutos, quando Olise encontrou Kylian Mbappé com um passe em profundidade, e o atacante finalizou com precisão para abrir o placar. Aos 37 minutos, a França ampliou em um contra-ataque liderado por Adrien Rabiot, que lançou Bradley Barcola. O atacante venceu Koulibaly na velocidade e marcou o segundo.

Já nos acréscimos da partida, a equipe comandada por Pape Thiaw recuperou uma bola no seu campo defensivo e iniciou a jogada com Mané que achou Iliman Ndiaye livre no meio campo. O meia lançou para Ibrahim na ponta direita e realizou um drible que deixou o defensor francês Theo Hernández no chão, antes de finalizar a jogada com um chute cruzado no fundo do gol. 

Logo após a seleção africana diminuir a vantagem francesa, Mbappé voltou a decidir a partida. Aos 51 minutos, o atacante arriscou de fora da área e acertou uma finalização indefensável para o goleiro Mendy, colocando um ponto final no placar do jogo.

Com os dois gols marcados na estreia, Mbappé alcançou uma marca histórica. O camisa 10 se tornou o maior artilheiro da história da seleção francesa, com 58 gols. Além disso, chegou à terceira posição na lista dos maiores goleadores da história das Copas do Mundo, com 14 gols. Agora, está atrás apenas de Ronaldo, do Brasil, com 15 gols, e de Miroslav Klose, da Alemanha, e Lionel Messi, que dividem a liderança com 16 gols cada.

 

Iraque 1x4 Noruega 

A partida entre Iraque e Noruega, realizada na última terça-feira (16), que terminou com vitória dos noruegueses por 4 a 1, colocou frente a frente duas seleções que chegaram à Copa do Mundo 2026 carregando pouca tradição na competição, mas, com muito muito empenho e ótimas histórias para contar. Para os iraquianos, era o retorno ao principal palco do futebol após quatro décadas. Para os noruegueses, o fim de uma ausência que durava desde 1998.

Antes mesmo de a bola rolar, havia a sensação de que o confronto reunia dois projetos em momentos diferentes. O Iraque chegava embalado pela classificação conquistada nas Eliminatórias Asiáticas, sustentado por uma equipe veloz, organizada e acostumada a superar adversidades. A Noruega, por sua vez, desembarcava nos Estados Unidos cercada por expectativas. Depois de anos produzindo talentos sem conseguir transformá-los em resultados, a geração liderada por Erling Haaland e Martin Ødegaard finalmente recolocou o país entre os participantes da Copa do Mundo.

Nos primeiros minutos, a diferença técnica entre as equipes não ficou tão evidente quanto muitos imaginavam. O Iraque entrou em campo sem receio. Pressionava a saída de bola, ampliando o campo com dois pontas bem agressivos, disputando cada lance e buscando acelerar as jogadas sempre que recuperava a posse. A Noruega controlava mais a bola, mas encontrava dificuldades para transformar esse domínio em oportunidades claras.

A partida começou a mudar aos poucos. Com mais qualidade na circulação da bola, os noruegueses passaram a ocupar o campo ofensivo com frequência crescente. Com o camisa 10 da Noruega sendo obrigado a buscar bolas na linha defensiva para qualificar melhor o passe. Quando encontravam espaço pelos lados, aceleravam as jogadas e obrigavam a defesa iraquiana a recuar.

Aos 29 minutos, veio o primeiro golpe. David Møller Wolfe, meia do Woverhampton, avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para a área. No lugar certo, o cometa Haaland apareceu como num flash para completar o cruzamento certeiro e marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo. Depois de anos ouvindo que sua geração precisava provar seu valor em grandes torneios, o principal nome do futebol norueguês finalmente deixava sua marca no maior deles, e o grito de gol veio feroz e rápido, assim como foi o tento.

Os Leões da Mesopotâmia responderam rapidamente. Longe de se intimidar, continuaram apostando na intensidade e foram recompensados aos 39 minutos. Aymen Hussein, a referência técnica e física da equipe, subiu mais alto que a defesa adversária e cabeceou para as redes, marcando o gol que devolveu esperança ao Iraque. Era o prêmio para uma equipe que encontrava espaços em campo, principalmente pelo lado direito.

O empate transformou os minutos finais do primeiro tempo em um dos momentos mais emocionantes da partida. O Iraque cresceu, ganhou confiança e passou a acreditar que poderia surpreender. A Noruega, por outro lado, precisou mostrar maturidade para não se desorganizar. Com dribles curtos e passes incisivos a equipe da Mesopotâmia impunha seu ritmo, demonstrando muita qualidade na construção da fase ofensiva. Já a defesa...

E foi justamente essa maturidade dos nórdicos e a falta de entrosamento defensivo por parte dos iraquianos que fez a diferença pouco antes do intervalo.

Aos 43 minutos, um erro na saída de bola iraquiana mudou novamente o rumo do jogo. Um recuo mal executado criou uma situação de indecisão entre a defesa e o goleiro Jalal Hassan. Atento ao lance, Haaland pressionou, aproveitou a falha e viu a bola terminar no fundo das redes. O gol recolocou a Noruega em vantagem e premiou a insistência de um atacante que vive para transformar pequenos espaços em oportunidades.

 

Haaland anota dois gols em sua estreia em copas do mundo.
Haaland anota dois gols em sua estreia em copas do mundo. Foto: Reprodução Instagram/@herrelandslaget

Quando o árbitro encerrou a primeira etapa, o placar apontava 2 a 1 para os europeus. Mas os números não contavam toda a história. O Iraque havia mostrado coragem, personalidade e momentos de bom futebol. A Noruega, por sua vez, demonstrava porque tantos observadores a apontavam como uma das seleções mais interessantes desta Copa. Mais madura do que em ciclos anteriores, a equipe escandinava combinava talento individual e organização coletiva de uma forma que seus torcedores esperavam havia décadas.

Os quarenta e cinco minutos iniciais terminavam com vantagem norueguesa, mas também com a sensação de que o Iraque ainda tinha forças para continuar lutando. E, em uma Copa do Mundo, essa costuma ser uma combinação perigosa.

A segunda etapa se inicia com uma mudança de postura por parte da seleção iraquiana, linhas de marcação altas e pressão na saída de bola demonstraram a intenção dos Leões da Mesopotâmia para o resto da partida: buscar o resultado.

A escolha tática para o segundo tempo se converteu no melhor momento do Iraque no jogo. O gatilho de pressão da seleção africana trouxe desconforto ao meio-campo norueguês que, até o momento, havia sido o diferencial da construção ofensiva do time. Com isso os papeis se inverteram nos primeiros minutos do segundo tempo, sendo o time iraquiano o que mais passava tempo com a bola, buscando infiltrar a defesa norueguesa principalmente pelas laterais do campo, em um ataque baseado nas inversões de jogo.

O protagonismo por pouco não se transformou em um gol inesperado. Aos 62 minutos de jogo, uma jogada de cruzamento pela esquerda do campo ofensivo do Iraque atravessou toda a área norueguesa, em um passe que parecia buscar o cabeceio do ponta Ibrahim Bayesh, mas passou direto e caiu nos pés do lateral esquerdo Hussein Ali. O lateral tentou escorar a bola de volta para área, quase encobriu o goleiro norueguês e deu um susto na torcida nórdica.

Marcando com uma linha de três avançada no campo adversário, a Noruega chegava pouco, mas quando chegava trazia perigo. Nusa, o ponteiro norueguês, estava fazendo uma boa partida, aparecendo sempre como uma das opções de criação de jogada pelos lados do campo e cavando faltas próximas à área do time africano.

O Iraque seguia em bom momento na metade do segundo tempo. O ponta Marko Farji entrou bem e se tornou uma opção de desafogo para os Leões da Mesopotâmia. Apesar disso, o time seguia dependendo muito das laterais para atacar, não sendo efetivo em toque de bola pelo meio-campo.

Além disso, Ståle Solbakken, técnico da Noruega, acertou ao apostar em uma substituição quádrupla aos 71 minutos de jogo, que mudaria não só o fôlego, mas também o panorama de sua equipe. A troca de Nusa por Schjelderup trouxe poucas mudanças táticas para a equipe, afinal um ponta esquerdo de velocidade e agilidade saiu para a entrada de outro. No entanto, a saída de Sorloth e Ausners para a entrada de Oscar Bobb e Kristian Thorstvedt traziam para campo jogadores com características mais propícias para recuperar a posse e para a troca de passes pelo meio-campo. A troca do lateral Wolfe por Østigård também contribuiu para a volta ofensiva da Noruega no jogo.

Ao contrário do Iraque, as mudanças da seleção norueguesa não ficaram no quase. Aos 75 minutos de jogo, em um escanteio originado por uma tabela entre Oscar Bobb e Thorstvedt dentro da área do time mesopotâmico, Ødegaard acerta um grande cruzamento no primeiro pau, recebido por Østigård, que se antecipou desde a marca do pênalti até a trave e acertou um cabeceio certeiro no canto direito do goleiro iraquiano, confirmando o terceiro gol da Noruega na partida. Um gol que é um reflexo direto das mudanças táticas de Solbakken.

Os últimos minutos de jogo consagraram as mudanças do time nórdico. A seleção norueguesa conseguiu manter a posse pela maior parte do final da partida, embora o Iraque tenha continuado sua pressão em linhas altas.

Até mesmo quando a seleção iraquiana conseguia a bola, rapidamente perdia para a pressão do time adversário. Nessa situação, aos 85 minutos de jogo, sai o primeiro cartão amarelo da partida para o camisa 4 do time mesopotâmico, por matar um contra ataque com falta em cima do cometa Haaland.

A opressão nórdica seguia. Aos 90 minutos o time quase anotou o quarto gol da partida, em uma finalização de Thorstvedt dentro da área, em uma jogada trabalhada em quase seis minutos seguidos de posse.

Nos últimos instantes da partida, aos 96 minutos a Noruega conseguiu ampliar o placar, em uma jogada de inversão de jogo da lateral esquerda do campo ofensivo para o lado direito. Haaland, que estava apagado no segundo tempo em comparação ao primeiro, aproveitou um cruzamento para escorar a bola de cabeça para o meio da área, fazendo com que ela desviasse no zagueiro iraquiano, confirmando o gol contra e a vitória da Noruega por 4 a 1.

O jogo terminou repleto de histórias para a seleção nórdica. A vitória por 3 gols de diferença garantiu a liderança provisória em um dos grupos mais difíceis da Copa. Além de contar com marcas históricas, sendo o primeiro jogo em que a seleção norueguesa anotou mais de 2 gols. O time agora se prepara para as difíceis partidas contra Senegal e França, que decidiram sua posição na classificação geral.

O Iraque, no entanto, se encontra em uma posição não muito agradável no grupo. Uma derrota por goleada na estreia parece confirmar o status de “saco de pancada” com que o time chegou para a Copa, e agora terá de enfrentar duas seleções que também são de altíssimo nível nas próximas duas rodadas.